Escola de Língua de Sinais de Tóquio homenageada por formar atletas paralímpicos para surdos.
TÓQUIO – Uma escola para surdos em Tóquio se destaca não apenas por enviar cinco ex-alunos para representar o Japão nas Olimpíadas para Surdos de Tóquio, mas também por sua filosofia educacional que valoriza a língua de sinais para permitir que os alunos desenvolvam sua identidade.
Os professores da Meisei Gakuen, em Tóquio, esperam que os jogos, realizados pela primeira vez no Japão, se tornem uma experiência real e uma fonte de motivação para os alunos, promovendo, ao mesmo tempo, o entendimento mútuo entre surdos e ouvintes.
A escola oferece aos atletas que participaram de edições anteriores das Olimpíadas para Surdos a oportunidade de compartilhar suas experiências com os alunos.
Chisaki Kise, de 19 anos, ex-aluna que participou das Olimpíadas para Surdos de Tóquio, inspirou-se em Ryutaro Ibara, de 31 anos, um nadador de destaque que foi convidado para a escola como palestrante. Ela também dava aulas de natação na escola.
Fundada em 2008, a escola particular especializada conta com mais de 60 alunos e oferece educação nos níveis de jardim de infância, ensino fundamental e ensino médio incompleto.
Tem como objetivo incentivar indivíduos bilíngues que têm a Língua Gestual Japonesa como língua principal e que também são proficientes em leitura e escrita em japonês.
Historicamente, a língua gestual foi proibida nas escolas japonesas para surdos, sendo o ensino focado na leitura labial.
Meisei, no entanto, nadou contra a corrente. Ela abandonou a leitura labial e considerou a língua de sinais essencial para a aquisição da linguagem.
O status da língua de sinais mudou consideravelmente na última década. Em 2013, a primeira lei japonesa com o objetivo de promover a língua de sinais foi promulgada na província de Tottori, no oeste do Japão, e outros municípios seguiram o exemplo.
Uma lei que entrou em vigor em junho exige que os governos nacional e locais promovam ambientes propícios à disseminação da língua de sinais.
Kosuke Ono, diretor da escola, descreveu seus alunos como "pessoas que vivem de acordo com a linguagem de sinais".
Os graduados da Meisei e os atletas de sucesso na sociedade servem de modelos para as crianças. "Eles colocam em prática o que aprenderam na escola", disse Ono.
A escola designou o período dos jogos, que decorre até 26 de novembro, como "Semana das Surdolimpíadas" e convida os alunos a apoiarem os antigos alunos durante as competições.
Com tantas pessoas surdas de diferentes países e regiões, falando suas respectivas línguas de sinais, reunidas no Japão, essa oportunidade se torna uma experiência de aprendizado inestimável para as crianças.
"Espero que os jogos aumentem a conscientização sobre a língua de sinais e a cultura surda", disse Ono.

