A economia chinesa cresceu no primeiro trimestre, mas a pressão deflacionária persiste.

TÓQUIO – O Departamento Nacional de Estatísticas da China informou em 16 de abril que o Produto Interno Bruto (PIB) real do país cresceu 5,0% em relação ao ano anterior no período de janeiro a março, superando o crescimento do trimestre anterior pela primeira vez em cinco trimestres, devido à melhora da demanda interna e à firmeza da demanda externa, apesar da tendência de desaceleração em 2025.

Esse resultado coloca a China em uma posição favorável para atingir a meta de crescimento do governo de 4,5% a 5,0% para todo o ano de 2026, estabelecida na sessão anual da Assembleia Popular Nacional, o órgão legislativo nacional, em março.

Olhando para o futuro, espera-se que o apoio político e a demanda externa continuem a impulsionar a economia. No Congresso Nacional do Povo, o governo indicou sua intenção de prosseguir com medidas econômicas como subsídios para eletrodomésticos e modernização de equipamentos, bem como investimentos em infraestrutura, seguindo medidas semelhantes implementadas em 2025.

Ao mesmo tempo, as fricções comerciais entre os Estados Unidos e a China, que afetaram a demanda externa em 2025, diminuíram desde a cúpula bilateral no final de outubro. Com a visita do presidente americano Donald Trump à China em maio, a probabilidade de as exportações para os Estados Unidos enfrentarem novas pressões diminuiu.

Com base nessas premissas, a meta de crescimento econômico parece estar ao alcance. No entanto, o ambiente interno e externo da economia chinesa permanece complexo, e os riscos de uma nova instabilidade persistem.

No âmbito doméstico, o desequilíbrio entre oferta e demanda que persiste há vários anos ainda não apresentou melhora suficiente. A demanda permanece fraca em meio à crise imobiliária e aos problemas de endividamento dos governos locais, enquanto o ritmo de produção continua forte devido à concorrência excessiva entre as empresas. O deflator do PIB, um índice que acompanha as variações de preços, está negativo há 12 trimestres consecutivos, desde abril-junho de 2023, o que sugere que as pressões deflacionárias ainda não diminuíram.

A resolução desses problemas levará tempo, e é improvável que a economia tenha o ímpeto necessário para uma recuperação autossustentável. Se a desaceleração do mercado imobiliário piorar ou se o enfrentamento da dívida oculta pressionar mais do que o previsto o financiamento dos governos locais, a demanda interna poderá deteriorar-se, comprometendo o objetivo.

No exterior, a maior preocupação é a escalada das tensões no Oriente Médio desde o final de fevereiro, após o início dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. Embora os Estados Unidos e o Irã tenham chegado a um acordo provisório de cessar-fogo e as negociações para pôr fim aos combates possam ser retomadas, ainda persiste uma considerável incerteza.

Se a situação melhorar rapidamente, o impacto na economia chinesa poderá ser limitado. Mas se o impasse persistir ou as condições piorarem, uma desaceleração econômica global e o aumento dos preços da energia poderão pressionar negativamente a economia chinesa.

Em 2026, a China deverá lançar um novo plano econômico de médio prazo, o 15º Plano Quinquenal, e em 2027 realizará seu Congresso do Partido Comunista, o que ocorre duas vezes por década. A forma como a liderança do presidente Xi Jinping lidará com os riscos internos e externos e garantirá a estabilidade econômica será acompanhada de perto.



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(Yusuke Miura, nascido em 1983 e originário de Tóquio, é graduado pela Universidade de Waseda. Após trabalhar no departamento de pesquisa asiática e no departamento de recursos humanos do Instituto de Pesquisa Mizuho, ​​atualmente Banco Mizuho, ​​tornou-se economista sênior no Instituto de Pesquisa NLI em 2023.)