A economia japonesa cresceu 0,2% entre outubro e dezembro, com um ligeiro aumento nos gastos e exportações ainda fracas.

A economia japonesa cresceu 0,2% entre outubro e dezembro, com um ligeiro aumento nos gastos e exportações ainda fracas.

TÓQUIO – A economia japonesa cresceu 0,2% em termos reais anualizados no período de outubro a dezembro, a primeira expansão em dois trimestres, com o consumo pessoal conseguindo aumentar apesar da inflação, enquanto as exportações caíram após as tarifas americanas reduzirem as entregas de automóveis, de acordo com dados do governo divulgados nesta segunda-feira.

No quarto trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB), ajustado pela inflação, cresceu 0,1% em comparação com o período de julho a setembro, conforme indicado em um relatório preliminar do Gabinete do Governo. O PIB representa o valor total dos bens e serviços produzidos em um país.

A expansão era amplamente esperada, mas acabou sendo muito menor do que o previsto. Economistas consultados pelo Centro Japonês de Pesquisa Econômica previam um crescimento real anualizado de 1,48%.

Ao longo de 2025, o PIB nominal, que indica o tamanho da economia a preços correntes, aumentou 4,5% em comparação com o ano anterior, atingindo 662,79 trilhões de ienes (US$ 4,3 trilhões). Em termos reais, o PIB totalizou 590,68 trilhões de ienes, um aumento de 1,1%, segundo o Gabinete do Governo.

Durante o trimestre em análise, o consumo privado, que representa mais da metade da economia, aumentou 0,1%, registrando o sétimo aumento trimestral consecutivo, impulsionado pela forte demanda por telefones celulares e hospedagem, embora os gastos com alimentação e automóveis tenham diminuído, segundo o órgão.

Takeshi Minami, economista-chefe do Instituto de Pesquisa Norinchukin, afirmou que o crescimento do consumo foi lento durante o trimestre, apesar de as empresas terem concordado em oferecer salários mais altos para o ano fiscal de 2025, após negociações com os sindicatos.

O foco agora está em saber se os salários continuarão a subir no próximo ano fiscal, que começa em abril, e se isso impulsionará os gastos, principalmente em alimentação e viagens, áreas afetadas pela inflação, disse ele.

Embora o aumento anual dos preços básicos ao consumidor, excluindo alimentos frescos voláteis, possa cair abaixo de 2% já entre janeiro e março, "é importante que os consumidores sintam que a inflação está de fato diminuindo para que aumentem seus gastos", disse Minami.

Durante o período em análise, as exportações caíram 0,3% entre julho e setembro, puxadas para baixo pela fraca demanda por automóveis, afetada pelas tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, mas o declínio foi mais moderado do que a queda de 1,4% no trimestre anterior.

Um funcionário do Gabinete do Governo afirmou que as tarifas mais altas não parecem estar afetando negativamente a economia japonesa como um todo, incluindo o ânimo de empresas e consumidores, após o acordo comercial firmado entre o Japão e os Estados Unidos em meados de setembro.

"O impacto das tarifas americanas persiste, principalmente nos lucros das montadoras, mas as incertezas em relação às perspectivas estão diminuindo devido à implementação do acordo comercial", disse o funcionário.

"Mas, no futuro, a evolução das relações comerciais fora do Japão e dos Estados Unidos, como entre os Estados Unidos e a China ou a União Europeia, poderá afetar indiretamente a economia japonesa", disse o funcionário.

A queda nos gastos de visitantes estrangeiros no Japão também contribuiu para a redução das exportações, segundo o Gabinete do Governo. Esses gastos são contabilizados como exportações nos dados do PIB. As importações caíram 0,3%.

O investimento empresarial aumentou 0,2% em comparação com o trimestre anterior devido à forte demanda por dispositivos de fabricação de semicondutores e serviços de pesquisa e desenvolvimento, enquanto as empresas também adquiriram mais software para compensar a escassez de mão de obra, disse o funcionário.

O investimento imobiliário aumentou 4,8% em comparação com o trimestre anterior, após uma queda acentuada de 8,4%.

O PIB nominal aumentou 0,6% em comparação com o período de julho a setembro, ou a uma taxa anualizada de 2,3%.