Enviar navios japoneses para o Estreito de Ormuz como parte de um programa de cooperação internacional é uma opção.
TÓQUIO – A cúpula entre a primeira-ministra Sanae Takaichi e o presidente dos EUA, Donald Trump, tinha como objetivo inicial expressar claramente a posição do Japão em meio às mudanças significativas nas relações entre EUA e China. No entanto, os ataques de Israel e EUA contra o Irã e a escalada das tensões no Oriente Médio deslocaram o foco para a segurança do Estreito de Ormuz.
Trump, que prioriza a estabilidade dos preços do petróleo, sem dúvida espera o envio de navios por uma coalizão de parceiros dispostos, apesar de algumas mudanças em suas declarações. Ele provavelmente espera que o Japão, o primeiro país a sediar uma cúpula desde que ele a solicitou, tome a iniciativa de se juntar à coalizão.
Nessas circunstâncias, o Primeiro-Ministro explicou, durante a reunião, as restrições legais relacionadas ao destacamento das Forças de Autodefesa, indicando sua disposição em tomar todas as medidas possíveis. Países como Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália emitiram uma declaração conjunta pouco antes da reunião, expressando sua disposição em contribuir para a segurança do estreito, e essa decisão parece ter ajudado Takaichi a evitar uma situação em que o Japão estaria sob considerável pressão sobre essa questão.
No entanto, Trump destacou a dependência do Japão em relação ao Oriente Médio, que fornece mais de 90% do seu petróleo, e instou Tóquio a aumentar suas contribuições. A simples declaração de que "responderão de acordo com a lei" é insuficiente e, sem ações concretas, corre-se o risco de um crescente descontentamento.
Dito isso, escoltar petroleiros em tempos de guerra é extremamente perigoso. O reconhecimento de uma "situação que ameaça a sobrevivência nacional" sob as leis de segurança, que pressupõe o exercício da autodefesa coletiva, representa um obstáculo significativo. Diante dessas restrições, o envio de navios em uma "situação de paz internacional e resposta conjunta" com base em uma resolução da ONU, pressupondo um cessar-fogo, parece ser a opção mais realista e menos arriscada.
A justificativa para o destacamento não seria simplesmente o apoio às forças armadas dos EUA, mas sim o "combate aos atos ilegais do Irã", garantindo assim a legitimidade. A recente declaração conjunta condena os ataques iranianos em todo o Oriente Médio e faz referência a uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que exige a cessação imediata dos ataques. Espera-se que o Japão tome a iniciativa na elaboração de uma resolução subsequente.
Caso a mobilização ocorra, está previsto o apoio logístico a uma coligação de voluntários. Se necessário, também serão possíveis atividades de desminagem ao abrigo de um enquadramento legal diferente.
É também necessário avançar de forma constante com o investimento de 80 trilhões de ienes (US$ 500 bilhões) nos Estados Unidos, com base no acordo tarifário Japão-EUA. Esse investimento se concentrará em áreas de interesse para os EUA, como a expansão da produção energética americana, particularmente de petróleo bruto, mas prevê-se que haverá situações em que a rentabilidade terá de ser deixada de lado.
Além disso, investimentos maciços não aliviarão as demandas relativas ao Estreito de Ormuz. Estas devem ser consideradas separadamente.
O monitoramento contínuo é essencial para a estratégia diplomática futura. Trump tem grande interesse em "acordos" com a China. Embora a questão do Estreito de Taiwan tenha sido levantada nesta reunião, não se pode descartar a possibilidade de que tenha sido mera formalidade. Manter as relações por meio de diálogo frequente é crucial.
Ao mesmo tempo, Takaichi também precisa considerar os riscos políticos. Existe o risco de uma reação negativa da opinião pública interna contra o destacamento das Forças de Autodefesa do Japão. A questão é como ela exercerá uma liderança proativa, levando em conta esses riscos, no interesse da economia e da segurança do Japão.
(Tetsuo Kotani, nascido em 1973, é especialista em relações internacionais e concluiu seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade Doshisha em 2008. É professor na Universidade Meikai desde 2020 e pesquisador sênior no Instituto Japonês de Assuntos Internacionais.)

