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A equipe de Gifu está considerando o uso potencial de DNA presente no ar em investigações.

Obter provas a partir do ar poderá um dia ser possível em investigações criminais, graças à pesquisa em andamento sobre a coleta de partículas de DNA suspensas no ar.

Atsushi Nagai, pesquisador de genética forense da Faculdade de Medicina da Universidade de Gifu, e seus colegas embarcaram em um projeto inédito para recuperar partículas de DNA atmosférico de ambientes internos em 2024.

O experimento começou pedindo aos participantes que realizassem certas ações em uma sala fechada. Essas ações incluíam vestir e despir roupas, sentar em uma cadeira e passar as mãos pelos cabelos.

Em seguida, utilizou-se um aspirador de pó equipado com um filtro específico para aspirar o ar do cômodo.

A análise do DNA retido no filtro revelou que havia quantidade suficiente para identificar individualmente os indivíduos, embora as amostras tivessem sido coletadas a vários metros de distância deles.

Acredita-se que o movimento dos indivíduos seja responsável pela dispersão de partículas biológicas, como fragmentos de tecido e células, do couro cabeludo, da pele, das roupas e de outros locais no ambiente.

Quanto mais moviam os membros, maior era o volume de DNA detectado. A tosse também permitiu que os cientistas coletassem partículas de áreas muito mais distantes dos indivíduos.

A quantidade que podia ser recuperada do ar diminuiu consideravelmente após alguns minutos, à medida que caía gradualmente de volta ao solo.

O DNA atmosférico é particularmente importante para análises porque contém menos impurezas, como poeira. Outra vantagem relatada é que sua presença indica que a fonte esteve no local "até muito recentemente".

"Os autores de crimes que usam luvas ou apagam as impressões digitais não conseguem impedir que esse tipo de vestígio seja liberado no ar por partes do corpo", disse Nagai, referindo-se a um benefício adicional da detecção de DNA no ar.

UMA VIDA AQUÁTICA INSERÍVEL

Além de ser uma potencial vantagem em investigações criminais, as tecnologias mais recentes tornaram possível revelar quais criaturas vivem em oceanos e rios, com base no material biológico presente em uma amostra de água coletada nesses locais.

Isso é feito através da análise do DNA de excrementos de animais, fluidos corporais e vestígios de pele encontrados na água.

Embora o DNA dos organismos vivos também esteja misturado com o solo e o ar, os cientistas continuam seus programas de desenvolvimento em torno de um método para localizar animais selvagens difíceis de encontrar, com base nesse DNA ambiental.

Estudos anteriores também demonstraram que o DNA pode ser encontrado em diversos locais. Por exemplo, foi possível detectar DNA não apenas em maçanetas e paredes, mas também em filtros de ar-condicionado, ventiladores e pisos.

Dependendo da temperatura e umidade do ambiente, o DNA também pode permanecer intacto por mais de 10 anos.

Dependendo da localização e da quantidade de DNA recuperada, pode ser possível estimar vários detalhes da situação, como quem estava presente na sala, onde estavam na sala e por quanto tempo.

MUITO A APERFEIÇOAR

As descobertas da equipe de Nagai foram apresentadas no verão de 2025 em uma conferência da Sociedade Japonesa de Medicina Legal. Os cientistas afirmaram ter recebido uma pergunta de alguém próximo à polícia a respeito dos resultados do estudo.

"Nossa esperança é que esse método seja usado em algum momento para investigações criminais, embora os obstáculos à sua aplicação prática, como o aprimoramento da tecnologia e dos equipamentos de coleta, ainda sejam grandes", disse Nagai.

Toshifumi Minamoto, professor de ecologia da Universidade de Kobe e particularmente conhecedor de DNA ambiental, expressou suas expectativas em relação a essa técnica emergente.

"O método provavelmente enfrentará desafios técnicos específicos, já que o volume de DNA recuperável diminui com o tempo", disse Minamoto. "Uma grande quantidade de ar será necessária para obter a quantidade de DNA requerida, mas acredito que há uma boa chance de a ciência forense se beneficiar dessa tecnologia."