Os banhos públicos japoneses estão afundando em águas profundas devido ao aumento dos custos de energia.

Os banhos públicos japoneses estão afundando em águas profundas devido ao aumento dos custos de energia.

NAGOYA – Os banhos públicos tradicionais do Japão estão em maus lençóis, já que o aumento vertiginoso dos custos de energia, provocado por interrupções no fornecimento de petróleo do Oriente Médio, ameaça extinguir a chama de uma tradição em declínio, forçando alguns a reduzir o horário de funcionamento ou até mesmo a fechar as portas permanentemente.

Já enfrentando dificuldades com uma clientela cada vez menor e proprietários idosos sem sucessores, os "sento", como são chamados os banhos públicos em japonês, estão sofrendo mais um golpe com a alta dos preços do petróleo, já que os preços regulamentados dificultam o repasse dos custos crescentes aos clientes.

Num dia fresco do início de abril, os clientes acorreram aos banhos de Ikesu Onsen, um sento familiar fundado em 1919 em Tsushima, na província de Aichi, no centro do Japão.

O sento sempre foi um ponto de encontro social no bairro. Recentemente, porém, foi obrigado a atrasar seu horário de funcionamento em uma hora desde o final de março devido ao fornecimento instável de óleo combustível, com as entregas mensais reduzidas pela metade, em comparação com cerca de uma tonelada, resultando em uma diminuição de cerca de 10 clientes por dia.

"Isso é um grande golpe", disse Atsuko Matsui, de 57 anos, que administra os banhos públicos. "Se o fornecedor nos diz 'essa quantidade por esse preço', não temos escolha a não ser aceitar."

O fornecimento de combustível no Japão foi interrompido pela crise no Oriente Médio, desencadeada pelos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, que afetaram o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz e elevaram os preços globais do petróleo.

O impacto está sendo sentido em todo o país. Na cidade de Aomori, no nordeste do país, o Katsuragi Onsen decidiu fechar as portas no final de maio, porque os custos com combustível aumentam o ônus da manutenção das instalações antigas do sento.

"Os preços do óleo combustível estão subindo a cada semana e não mostram sinais de estabilização", disse Masayoshi Yamaguchi, de 57 anos, gerente do banho público. "Temos muitos clientes, mas nesse ritmo, simplesmente não conseguimos nos manter à tona."

De acordo com a Associação Nacional de Sento do Japão, cerca de 30% dos banhos públicos japoneses utilizam caldeiras a óleo. O número de banhos públicos já caiu para cerca de um doze avos do seu auge, há quase 60 anos, segundo dados da associação.

No Japão, as taxas dos sentos são limitadas pelos governadores das prefeituras como parte dos controles anti-inflacionários introduzidos logo após a Segunda Guerra Mundial, deixando pouca margem de manobra para os operadores ajustarem os preços.