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Os pedidos de estatuto de refugiado para rejeição acelerada estão aumentando no âmbito do "Plano Zero".

O número de pedidos de asilo no Japão imediatamente encaminhados para uma categoria com alta probabilidade de rejeição aumentou vinte vezes no ano passado, graças a uma nova política governamental destinada a reduzir o número de "residentes ilegais".

Esse aumento, que coincide com um número recorde de despejos forçados, alarmou os defensores dos refugiados, que temem que requerentes de asilo legítimos estejam sendo enviados de volta sem aviso prévio.

Em maio de 2025, a Agência de Serviços de Imigração lançou seu "Plano de Residência Zero de Estrangeiros Ilegais para a Segurança e Proteção das Pessoas no Japão" com o objetivo de acelerar o controle de refugiados.

Isso coloca mais requerentes na "categoria B", uma classificação para aqueles considerados "não constituindo claramente perseguição nos termos da Convenção sobre Refugiados". Isso significa que eles são frequentemente rejeitados com base apenas em documentos administrativos.

O argumento da agência é que muitas pessoas solicitam repetidamente o estatuto de refugiado sem motivos legítimos, simplesmente para prolongar sua permanência no Japão.

De acordo com a Lei de Controle de Imigração e Reconhecimento de Refugiados, os indivíduos podem ser deportados após o terceiro pedido, mesmo que este ainda esteja em análise.

A agência explora essa regra para acelerar a fiscalização, aumentar as deportações e reduzir o que chama de "residentes ilegais".

REJEIÇÃO SEM ENTREVISTA

Segundo um comunicado da agência divulgado em 27 de março, o Japão reconheceu 187 pessoas como refugiadas em 2025, em comparação com 190 no ano anterior, de um total de 11.298 solicitações, contra 12.373 no ano anterior.

Dos 2.025 candidatos, 1.615 casos, ou 14% do total, foram classificados como categoria B.

Em 2024, apenas 80 casos foram classificados como tal.

A agência afirmou que esse aumento foi "resultado da classificação adequada de aplicativos usados ​​indevidamente ou de forma abusiva".

Uma vez que uma candidatura é classificada como Categoria B, geralmente é rejeitada sem entrevista, e o candidato não recebe o estatuto de residência para "Atividades Designadas", normalmente concedido durante o período de seleção.

A agência esclareceu os critérios para esta categoria em uma diretiva interna em maio passado, mas se recusou a tornar os detalhes públicos.

Alarme Sonoro dos Advogados

A Associação Japonesa de Refugiados sem Fins Lucrativos condenou o aumento de casos da Categoria B, alertando em um comunicado que "classificações precipitadas estão sendo feitas sem levar em conta as circunstâncias individuais".

A organização enfatizou: "É importante que o estatuto de refugiado seja reconhecido rapidamente, mas também que as recusas sejam feitas com cautela."

Shiori Ikuta, da associação, afirmou que o Plano Zero aumentou o risco de que os pedidos de asilo de pessoas que precisam de proteção sejam rejeitados.

"Como os critérios de avaliação não são transparentes, não podemos verificar a validade da seleção", disse Ikuta.

REPRESSÃO EM MEIO AO CRESCIMENTO

Outro pilar fundamental do Plano Zero é a promoção de "deportações acompanhadas e custeadas pelo Estado" para estrangeiros que se recusam a deixar o Japão.

No ano passado, esse número atingiu um recorde de 318, um aumento de 69 em comparação com o ano anterior.

Esse número inclui 52 pessoas que estavam em seu terceiro ou subsequente pedido de asilo.

A repressão ocorre num momento em que a população estrangeira residente no Japão está aumentando.

No final do ano passado, o número de residentes estrangeiros ultrapassou os 4 milhões pela primeira vez, atingindo 4,12 milhões, um aumento de mais de 350 mil em comparação com o final de 2024.

(Este artigo foi escrito por Yuki Nikaido e Chika Yamamoto.)