A China afirma que os controles de exportação de bens de dupla utilização para o Japão não afetarão o comércio civil.

As eleições no Japão revelam divisões sobre a China após as declarações de Takaichi sobre Taiwan.

TÓQUIO — Líderes políticos japoneses expressaram, no domingo, opiniões divergentes sobre como gerir as relações com a China antes das eleições gerais de 8 de fevereiro, em meio à controvérsia sobre as declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi a respeito de uma possível intervenção em Taiwan.

Em um pronunciamento televisionado, Tetsuo Saito, co-líder da Aliança Reformista Centrista, o novo principal partido de oposição, enfatizou a importância de manter o diálogo com a China. A China criticou Takaichi por expressar sua disposição de intervir militarmente na questão de Taiwan.

Em novembro, Takaichi disse ao Parlamento que uma situação de emergência em Taiwan envolvendo o uso da força militar pela China poderia constituir uma "ameaça à sobrevivência" do Japão, potencialmente permitindo-lhe exercer seu direito à autodefesa coletiva.

Tomoko Tamura, presidente do Partido Comunista Japonês, pediu a retirada das declarações, enquanto Norihisa Tamura, um funcionário do Partido Liberal Democrático, partido governista em Takaichi, rejeitou o pedido, afirmando que isso poderia enviar uma "mensagem ruim".

Tamura, do PLD, que participou do programa de televisão no lugar de Takaichi, disse que o Japão deveria buscar uma "relação estratégica e mutuamente benéfica com a China e responder de uma forma que sirva aos interesses do país".

Hirofumi Yoshimura, líder do Partido da Inovação do Japão, que faz parte de uma coalizão com o PLD desde que Takaichi assumiu o cargo em outubro, defendeu a necessidade de aumentar os gastos com defesa do país, em meio à crescente preocupação com o aumento dos gastos militares da China.

Yuichiro Tamaki, líder do pequeno partido de oposição Partido Democrático Popular, questionou a construção de cadeias de suprimentos independentes da China e enfatizou a necessidade de autossuficiência em recursos e energia, dada a forte dependência do Japão em relação às terras raras.

As declarações de Takaichi à Dieta foram interpretadas como uma indicação de que seu governo poderia autorizar as Forças de Autodefesa a agir em apoio aos Estados Unidos caso a China impusesse um bloqueio marítimo a Taiwan ou se envolvesse em outras formas de coerção.

No domingo, Takaichi cancelou uma aparição na televisão, com o PLD alegando que ela estava recebendo tratamento após ter lesionado o braço durante a campanha eleitoral.