As crianças descobrem suas vozes em inglês por meio da aprendizagem baseada em brincadeiras.
Os alunos do quinto ano estavam completamente absortos no jogo. Trechos de conversas podiam ser ouvidos aqui e ali, misturando-se ao som constante das teclas e ao silêncio carregado de concentração que preenchia a sala de aula.
"Quero ir para o norte", disse um aluno em inglês. "Vou trabalhar em uma mina", anunciou outro.
Mas esta não era uma sessão de jogos comum. Era uma aula de inglês na Escola Primária Washinomiya – agora Escola Primária e Secundária Washinomiya Nishi – em Kuki, na região leste da província de Saitama.
No final de fevereiro, uma turma de alunos do quinto ano sentou-se em frente a seus tablets e jogou um jogo online no qual os usuários construíam casas e cidades com blocos enquanto exploravam as comunidades virtuais que criavam.
Do lado de fora do salão, um treinador que falava inglês apareceu em uma tela. Trabalhando em grupos, as crianças conversavam em inglês com o treinador enquanto brincavam.
"O que você descobriu até agora?", perguntou o instrutor.
"Encontrei 'hitsuji'", respondeu uma criança.
Embora as crianças às vezes usassem japonês ou se comunicassem apenas com algumas palavras isoladas em inglês, a conversa continuava fluindo.
O ensino da língua inglesa no Japão é considerado há muito tempo um fracasso. A crítica mais comum é que ele enfatiza a memorização de vocabulário e gramática, mas pouco contribui para que os alunos adquiram a capacidade de se comunicar em contextos interativos da vida real.
Kuki apresentou aulas baseadas em jogos para resolver esse problema antigo.
Uma característica distintiva do programa é que ele não desencoraja os alunos a usar o japonês.
Um aluno poderia dizer algo como: "Wall, who's doing dekiru?" (Você consegue fazer uma parede?), misturando inglês e japonês.
Nessas aulas, os alunos falam inglês com seus professores principais e colegas, mas a mistura de códigos japonês-inglês – produzindo frases incompletas ou fragmentadas como esta – é aceita como parte do processo de aprendizagem.
Às vezes, o treinador também oferece suporte em japonês, dizendo, por exemplo: "Hitsuji é chamado de 'ovelha' em inglês."
Como parte do programa para o ensino fundamental, o governo municipal de Kuki firmou uma parceria com a Gecipe Inc., uma empresa sediada em Tóquio que opera um negócio de educação em um metaverso, utilizando os eSports, incluindo uma escola online de conversação em inglês.
Takuya Manabe, CEO da empresa e defensor do que ele chama de "inglês para eSports", afirmou: "Se os alunos não conseguirem acompanhar, eles se desinteressam. Não há problema em usar o japonês para conversas espontâneas. O objetivo é que isso seja gradualmente substituído pelo inglês."
Um funcionário do Conselho Escolar Municipal de Kuki explicou o motivo da iniciativa: "O programa foi criado reconhecendo que as aulas tradicionais de inglês têm suas limitações."
Uma expressão comum em livros didáticos, por exemplo, é: "Você gostaria de um bife?"
Mesmo que aconteça em um restaurante, não é o tipo de coisa sobre a qual as crianças realmente queiram conversar, o que torna o vocabulário mais difícil de memorizar.
Ao usar jogos que as crianças realmente gostam como material didático, a cidade esperava criar um ambiente no qual a resistência em falar inglês diminuísse e a comunicação ocorresse de forma mais natural.
Com a ajuda de Gecipe, as aulas começaram no verão passado para alunos da terceira à sexta série.
Yusuke Morita, professor de tecnologia educacional da Universidade de Waseda, que estuda o aprendizado baseado em tecnologia, disse: "Esta é uma forma de treinamento que ajuda a melhorar os reflexos conversacionais e facilita uma comunicação mais fluida."
Falar inglês continua sendo uma grande dificuldade para os estudantes japoneses.
Na avaliação nacional das capacidades acadêmicas realizada pelo Ministério da Educação para o ano fiscal de 2023, a taxa média de respostas corretas na prova oral – uma das quatro habilidades essenciais da língua inglesa, juntamente com a compreensão auditiva, a leitura e a escrita – foi de apenas 12,4% entre os alunos do terceiro ano do ensino fundamental II.
Aproximadamente 60% receberam nota zero. Na avaliação, o ministério pesquisou todos os alunos do sexto ano do ensino fundamental e do terceiro ano do ensino médio em todo o país.
O Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Educacionais, que analisou os resultados, enfatizou a necessidade de métodos de ensino "focados na troca de fatos, opiniões e sentimentos com os outros".
A eficácia do programa Kuki ainda não foi totalmente avaliada, mas o conselho escolar da cidade afirma que as reflexões feitas após as aulas mostram que mais crianças estão incorporando palavras em inglês em seus textos e demonstrando uma atitude mais proativa.
A cidade planeja dar continuidade ao programa até o ano letivo de 2026 e além.

