EUA dizem que tarifa de 15% específica para o Japão não é o teto
WASHINGTON – Um funcionário da Casa Branca disse na quarta-feira que as importações do Japão já sujeitas a tarifas de 15% ou mais ainda enfrentarão uma taxa adicional "recíproca" de 15% definida para o país, diferentemente da União Europeia.
Ao contrário da explicação do Japão sobre os termos de um recente acordo comercial bilateral, a autoridade, que falou sob condição de anonimato, disse que o país asiático não receberá tal tratamento especial.
A confirmação da autoridade, horas antes das tarifas específicas de Donald Trump entrarem em vigor, sugeriu que os termos do acordo entre o Japão e os Estados Unidos estão sendo interpretados de forma diferente pelos dois lados.
Desde 22 de julho, quando o acordo foi fechado, autoridades japonesas têm explicado que as importações de carne bovina do Japão, por exemplo, continuariam sendo taxadas em 26,4% como antes, sem a adição da nova tarifa de 15%.
Documentos formais dos EUA, incluindo uma ordem executiva assinada por Trump na semana passada alterando as tarifas para dezenas de países, mencionam apenas a condição de "não acumulação" para a União Europeia, que fechou um acordo comercial semelhante com o governo dias depois do Japão.
Dado que não há um acordo escrito entre o Japão e os Estados Unidos, os legisladores da oposição no Japão acusaram o governo de não minimizar o risco de diferentes interpretações da implementação de tarifas entre os parceiros comerciais.
O negociador de tarifas japonês, Ryosei Akazawa, chegou a Washington na terça-feira à noite para garantir que os Estados Unidos cumpram os termos do acordo bilateral.
Na quarta-feira, Akazawa conversou com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, instando-o a implementar o mais rápido possível uma redução acordada nas tarifas sobre importações de carros e peças automotivas japonesas, de acordo com o governo japonês.
Durante a reunião, que durou cerca de 90 minutos, Akazawa e Lutnick reafirmaram a importância do acordo bilateral e os esforços para executar regularmente iniciativas que sejam do "interesse de ambos os países", disse o governo.
A visita de Akazawa para sua nona rodada de negociações com membros do gabinete dos EUA ocorre duas semanas após ele e Trump chegarem ao acordo, segundo o qual seu governo prometeu reduzir a chamada tarifa recíproca sobre produtos japoneses, que entraria em vigor na quinta-feira, de 15% para 25%.
Naquela época, Trump também concordou em reduzir as tarifas de automóveis para 15% para o Japão em troca da promessa de investir pesadamente nos Estados Unidos.
No entanto, diferentemente da tarifa específica do país, não está claro quando o governo Trump planeja implementar as tarifas reduzidas para automóveis.
Akazawa, ministro da revitalização econômica do Japão, deve permanecer na capital dos EUA até sexta-feira e também pode se encontrar com o secretário do Tesouro, Scott Bessent.

