O número de estudantes estrangeiros que precisam de aulas de língua japonesa triplicou em 20 anos.

O número de estudantes estrangeiros que precisam de aulas de língua japonesa triplicou em 20 anos.

TÓQUIO – O número de estudantes estrangeiros que frequentam escolas públicas e precisam de aulas de japonês triplicou nos últimos 20 anos, segundo uma análise de dados governamentais divulgada pela agência de notícias Kyodo News neste domingo, o que representa um desafio para o Japão na busca por profissionais de apoio.

Esse número chegou a 57.718 no ano fiscal de 2023, representando aproximadamente 40% de todos os estudantes estrangeiros em escolas públicas de ensino fundamental, primário e secundário. Esse aumento ocorre em um contexto de crescimento contínuo do número de estrangeiros residentes no Japão.

A maioria dos alunos são crianças que se mudaram para o Japão com suas famílias e usam seus idiomas nativos, como o chinês e o português, no dia a dia. O Japão aceita estudantes estrangeiros que desejam frequentar escolas públicas, embora não estejam sujeitos ao currículo de educação obrigatória do país.

O aumento foi observado em 41 das 47 prefeituras do Japão, sendo Aichi, sede da Toyota Motor Corp. e de outras grandes empresas manufatureiras, a que apresenta o maior número de estudantes estrangeiros que necessitam de aulas de língua japonesa, com 11.924 participantes.

A província de Kanagawa ocupa o segundo lugar com 6.182 estudantes, seguida por Tóquio com 5.373, Shizuoka com 4.275 e Osaka com 3.908.

Aichi também registrou o maior aumento, multiplicando-se por 4,3 em comparação com o ano fiscal de 2003, quando o número desses alunos era de 2.776.

Além dos estudantes estrangeiros que precisavam de instrução em língua japonesa, havia também 11.405 estudantes que, embora de nacionalidade japonesa, não tinham um bom domínio do idioma, principalmente porque haviam vivido no exterior por um longo período.

No total, o número de crianças que necessitavam de escolaridade em língua japonesa era de 69.123.

Segundo um levantamento do Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia, o número de estudantes estrangeiros em escolas públicas durante o ano fiscal de 2023 foi de 129.449.

Por prefeitura, Shiga apresentou a maior taxa de estudantes estrangeiros que necessitavam de aulas de língua japonesa, cerca de 84%.

Alunos que necessitavam de instrução em idiomas, incluindo aqueles de nacionalidade japonesa, foram encontrados em aproximadamente 1.000 municípios, ou cerca de 60% do país.

Satoshi Takeyama, um consultor educacional para estudantes estrangeiros nomeado pelo Ministério da Educação, defendeu um sistema educacional que respeite a língua materna das crianças.

"Numa fase em que os alunos devem aprender conceitos teóricos bem estruturados, o conhecimento pode ser adquirido se eles pensarem em sua língua materna. No entanto, se estudarem em japonês, uma língua que não conhecem, grande parte desse conhecimento provavelmente se perderá", disse Takeyama, que também é professor em uma escola pública de ensino médio em Tóquio.

A agência de notícias Kyodo analisou dados publicados pelo Ministério da Educação referentes aos anos fiscais de 2023 e 2003, com foco em estudantes estrangeiros, para os quais as comparações puderam ser feitas principalmente por prefeitura.