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Hijabs com estampa de sakura promovem a compreensão do Islã no Japão.

KOSHIGAYA, Prefeitura de Saitama-Yuta: Koinuma se converteu ao islamismo, casou-se com uma mulher do maior país muçulmano do mundo e procurou um emprego relacionado a essa religião.

Sua vida atual representa uma verdadeira virada em comparação com a época em que ele considerava o Islã "assustador" e o associava ao "terrorismo".

Yuta, de 36 anos, e sua esposa Yumiko, de 30, que moram em Kawaguchi, na província de Saitama, querem quebrar esses estereótipos e ajudar os japoneses a entender melhor o Islã.

Uma das estratégias utilizadas é criar e vender hijabs, o tradicional véu que cobre a cabeça das mulheres muçulmanas, em cores como rosa, branco, creme e outras tonalidades das adoradas flores de cerejeira japonesas.

Elas querem que o hijab proporcione tanto a quem o usa quanto a quem o observa uma sensação de "acessibilidade".

"Espero que a combinação do Japão com o Islã ajude as pessoas a aprenderem mais sobre o Islã – mesmo que apenas um pouco – e incentive a interação", disse ele.

Uma empresa indonésia produz os hijabs e envia os produtos acabados para o Japão. O casal escolheu um tecido leve para o véu.

“Existem pelo menos 100 tipos de tecido com diferentes padrões de tecelagem e espessuras de fio na Indonésia”, disse Yuta. “Eles são mais adequados para hijabs do que os disponíveis no Japão e podem ser produzidos a um preço acessível.”

Os hijabs são vendidos em eventos realizados em restaurantes e mesquitas com certificação halal dentro e fora da província de Saitama, bem como online.

Hijabs infantis também estão disponíveis, pois Yumiko deseja incentivar crianças muçulmanas que vivem no Japão com designs fofos. Eles são feitos de um material altamente elástico e respirável.

"Espero que as crianças se sintam mais à vontade usando o hijab e que o apreciem como um item de moda", disse Yumiko.

Yumiko, nascida na Indonésia, chegou ao Japão ainda como estudante do ensino fundamental e cresceu em uma família muçulmana.

A opinião negativa de Yuta sobre os muçulmanos mudou há cerca de sete anos, quando ele viajava pelo mundo como mochileiro.

Após ter sido enganado e enfrentar outros problemas no exterior, os muçulmanos o ajudaram e até o deixaram ficar em suas casas.

Ele ficou fascinado pela hospitalidade da cultura islâmica e pela recitação do Alcorão que ouviu em um táxi.

Ao retornar ao Japão, ele procurou trabalho relacionado ao Islã e se converteu à religião. Ele fornecia certificação halal para produtos que atendiam aos preceitos islâmicos, enquanto também exercia outras funções.

Esse estilo de vida acabou levando ao surgimento de hijabs com o tema da sakura.

"No Islã, o cabelo da mulher é considerado algo belo, e as mulheres são protegidas ao usar o hijab", disse Yuta.