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Protestos forçam o fim de um projeto de condomínio destinado a residentes estrangeiros.

ASAKURA, Prefeitura de Fukuoka — Após uma série constante de protestos, um proprietário de terras provavelmente abandonará os últimos vestígios de um projeto para construir prédios de apartamentos destinados principalmente a compradores estrangeiros, informou o governo municipal.

O proprietário do terreno informará o responsável pelo projeto ainda este mês que não cooperará com a construção devido à forte oposição local, disse a prefeitura em uma coletiva de imprensa em 1º de dezembro.

Segundo o governo municipal, o incorporador revelou, em uma reunião informativa com a comunidade, sua intenção de construir dois prédios de apartamentos de 14 andares no distrito de Kakibaru, nas dependências de um campo de golfe, para acomodar 705 pessoas em 290 unidades habitacionais.

A composição esperada dos residentes era a seguinte: 40% provenientes da China continental; 40% de Hong Kong ou Taiwan; e 20% da Coreia do Sul ou do Japão.

A construtora, que supostamente faz parte de um grupo de empresas com sede na China, também afirmou durante a apresentação que poderia expandir o projeto para seis edifícios.

Após a divulgação da notícia sobre o projeto, os protestos se multiplicaram nas redes sociais a partir de meados de setembro.

Alguns o descreveram como um "vasto projeto de condomínio para chineses".

Outros simplesmente escreveram: "Nós nos opomos à política de imigração."

Uma petição online já reuniu mais de 50.000 assinaturas, pedindo o abandono do projeto.

Algumas mensagens afirmavam incorretamente que o governo da província de Fukuoka havia aprovado o plano de construção.

Uma onda de protestos por telefone e e-mail inundou o governo da prefeitura, levando as autoridades a esclarecer os fatos.

"Não há qualquer fundamento nas alegações de que o governo da prefeitura aprovou o plano", disse um funcionário aos repórteres.

Também não há indicação de que os edifícios existentes nos locais do projeto estejam sendo demolidos.

O governo da cidade de Asakura recebeu aproximadamente 1.250 protestos por telefone ou e-mail, muitos dos quais exigiam que o município bloqueasse o projeto.

Algumas mensagens incentivavam as pessoas a dizer: "Vamos repassar isso diretamente ao prefeito."

Como resultado, o prefeito de Asakura, Yuji Hayashi, cancelou sua participação no espetáculo de fogos de artifício local, agendado para 20 de setembro.

O desenvolvedor tentou apaziguar a oposição em seu site no dia 9 de outubro.

"Os apartamentos serão oferecidos para venda independentemente da nacionalidade dos compradores", afirmou-se. "O projeto do condomínio não tem como objetivo promover a imigração."

A empresa também reduziu o projeto de dois edifícios para um, destinado a 164 famílias.

Mas os protestos não diminuíram.

Nos dias 9 e 16 de novembro, os moradores organizaram protestos de rua.

E em 27 de novembro, uma moradora da cidade entregou uma petição com 2.395 assinaturas ao governo municipal, solicitando informações para todos os residentes de Asakura.

Segundo a prefeitura, o proprietário do terreno tem ligação com a empresa que administra o campo de golfe.

Em 5 de novembro, veículos de comunicação noticiaram que um representante do proprietário do terreno havia informado aos envolvidos com o campo de golfe que não cooperaria com a construção do condomínio.

Após a prefeitura solicitar à empresa responsável pelo campo de golfe que verificasse as informações, a operadora afirmou que o proprietário do terreno informaria formalmente a construtora até o final de dezembro que não cooperaria com a obra, segundo fontes da prefeitura.

O governo de Asakura declarou que monitorará as ações da construtora e solicitará que a empresa realize uma sessão informativa para todos os moradores da cidade caso o projeto de construção não seja retirado.

Segundo fontes próximas à operadora do campo de golfe, o proprietário do terreno formou uma parceria de capital há cerca de cinco anos com um grupo de empresas com sede na China.

Ambas as partes compartilhavam o interesse mútuo em desenvolver o terreno não utilizado do campo de golfe.