Pagamentos digitais que protegem a privacidade estão estreando em templos e santuários.
QUIOTO — Uma importante organização budista do país implementou um sistema de pagamento sem dinheiro para visitantes, que não identifica o templo ou santuário, superando os receios de que os pagamentos digitais pudessem infringir a liberdade religiosa.
A Organização Budista de Kyoto anunciou em 2 de abril que concluiu o desenvolvimento do sistema de pagamento digital que permite aos visitantes pagar por itens como amuletos de proteção ou taxas de entrada em templos e santuários.
“Tivemos dificuldades em superar nossas preocupações com relação às violações da liberdade religiosa”, disse Sojun Saburi, diretor executivo da organização. “Fico satisfeito que nossa forma de pensar esteja refletida com sucesso no sistema.”
A organização budista, que possui aproximadamente 1.100 templos membros, desenvolveu o "Omaili Pay" em conjunto com uma empresa sediada em Tóquio.
O sistema já foi implementado no templo Eikando Zenrin-ji, na cidade, um local muito conhecido para apreciar a folhagem de outono.
O sistema estará disponível em breve em locais como o templo Kinkakuji e o templo Kotoku-in da cidade. Em Kamakura, na província de Kanagawa, famosa pelo Grande Buda de Kamakura.
O pagamento das taxas de admissão através do sistema deverá começar em julho.
Os visitantes efetuam pagamentos com cartão de crédito ou dinheiro eletrônico em terminais específicos instalados em templos e santuários.
Uma característica fundamental do sistema é que todas as transações são exibidas simplesmente sob o nome Omairi Pay. Os nomes dos templos ou santuários individuais não são divulgados aos provedores de serviços de pagamento.
Em 2019, a Organização Budista de Kyoto expressou preocupação com o processamento sem dinheiro em espécie das oferendas religiosas.
A organização afirmou que, se as informações pessoais dos visitantes ou suas atividades religiosas fossem conhecidas por terceiros, isso poderia infringir a liberdade religiosa dos fiéis e dos templos.
Com o crescente número de pessoas que carregam menos dinheiro em espécie, a organização buscou uma maneira de permitir o culto sem dinheiro físico, garantindo ao mesmo tempo o anonimato.

