Restaurantes japoneses afetados pelo congelamento de vistos para trabalhadores estrangeiros em alta demanda.
TÓQUIO – Proprietários de restaurantes japoneses foram forçados a rever sua abordagem em relação à contratação de trabalhadores estrangeiros desde que o governo suspendeu a emissão de vistos especiais necessários para trabalhar no setor, visto que o número de titulares se aproxima da cota predeterminada.
A suspensão repentina da imigração pelas autoridades japonesas levantou o espectro de uma forte competição por talentos estrangeiros, já que o país, conhecido há muito tempo por sua política de imigração rigorosa, depende cada vez mais de trabalhadores estrangeiros em meio à escassez de mão de obra.
O número de trabalhadores estrangeiros com visto tipo I no setor de restauração atingiu aproximadamente 46.000 no final de fevereiro, segundo dados preliminares, estando a caminho de ultrapassar a quota de 50.000 para o ano fiscal de 2028.
Embora a Agência de Serviços de Imigração tenha suspendido a emissão de certificados de elegibilidade para pedidos de visto de Trabalhador Qualificado Tipo I desde 13 de abril, algumas empresas alertaram que os trabalhadores estrangeiros que ajudaram a obter esses vistos podem retornar aos seus países de origem e não voltar a trabalhar no Japão.
Os titulares de um visto Tipo I podem trabalhar no Japão por até cinco anos, mas não podem trazer familiares. Não há limite de tempo para os titulares de um visto Tipo II, desde que acompanhados por familiares.
A Skylark Holdings Co. está entre as empresas afetadas pela suspensão, pois empregava 32 estudantes de intercâmbio de países como Myanmar como trabalhadores de meio período e os ajudava a se preparar para o exame de status Tipo I, agendado para junho.
A empresa planejava promovê-los após dois anos de experiência e possivelmente contratá-los em tempo integral assim que obtivessem o status de tipo II.
Como uma empresa que dá grande ênfase ao atendimento ao cliente, um executivo da Skylark disse que alguns funcionários podem retornar aos seus países de origem em vez de solicitar um visto em uma das outras 15 áreas, porque "entraram na empresa por considerarem gratificante a interação com os clientes".
A Mos Food Services Inc., operadora da rede Mos Burger, também expressou preocupação com a situação, visto que presta apoio no Vietnã a pessoas locais que buscam um visto específico para trabalhadores qualificados.
Segundo a Associação Japonesa de Serviços de Alimentação, que conta com cerca de 400 proprietários de restaurantes entre seus membros, a suspensão pode afetar os planos de desenvolvimento de novas lojas e os horários de funcionamento.
Os agentes do setor temem que algumas empresas possam até começar a recrutar trabalhadores estrangeiros que possuam vistos do tipo I.
A associação também afirmou temer que a suspensão repentina tornasse o mercado de trabalho japonês menos atraente para trabalhadores estrangeiros.
Ele planeja solicitar ao Departamento de Agricultura, Silvicultura e Pesca, que supervisiona a indústria alimentícia, que aumente o limite de 50.000 trabalhadores.
O ministério prefere ver um esforço maior por parte das empresas em primeiro lugar. "É necessário debater se as empresas fizeram todos os esforços para recrutar primeiro trabalhadores nacionais, um pré-requisito para o sistema de vistos."

