As empresas de navegação japonesas estão suspendendo a passagem pelo Estreito de Ormuz devido ao conflito com o Irã.
TÓQUIO — Os setores de transporte marítimo e aviação do Japão foram abalados nesta segunda-feira pelas consequências dos ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de semana, com as principais companhias de navegação suspendendo a passagem de seus navios pelo Estreito de Ormuz.
Embora a Nippon Yusen KK, a Mitsui OSK Lines e a Kawasaki Kisen Kaisha Ltd. tenham cessado a navegação nesta rota crucial para o transporte de petróleo e energia, a Associação Japonesa de Armadores afirmou que mais de 40 navios ligados ao Japão, incluindo petroleiros, foram obrigados a permanecer no Golfo Pérsico.
O Japão importa cerca de 95% do seu petróleo bruto do Oriente Médio, a maior parte do qual passa pelo estreito entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.
"Se o fechamento continuar, terá um enorme impacto na economia japonesa", disse um representante da associação.
Para a Jera Co., uma das maiores empresas de energia do Japão, "não há problemas no momento" em relação ao fornecimento de gás natural liquefeito, de acordo com um funcionário. A empresa "fará todo o possível para garantir um fornecimento flexível de combustível" e, assim, assegurar um abastecimento estável, acrescentou o funcionário.
O impacto também afetou alguns voos, com a Japan Airlines Co. anunciando a suspensão de seus voos regulares entre o Aeroporto de Haneda, em Tóquio, e Doha, capital do Catar, até domingo.
"Estamos coletando informações meticulosamente e realizando simulações para que as operações possam ser retomadas imediatamente" assim que a segurança for confirmada, disse a presidente Mitsuko Tottori em uma coletiva de imprensa na segunda-feira.
A ANA Holdings Inc., empresa controladora da All Nippon Airways Co., afirmou que até o momento não houve impacto em suas operações, observando que não opera voos para o Oriente Médio, incluindo o Irã, nem sobrevoa o país.
O conflito regional também levou várias empresas japonesas a iniciarem a evacuação de seus funcionários.
A Jera solicitou que seus funcionários locais e empregados nos Emirados Árabes Unidos deixassem o país, enquanto a empresa comercial Marubeni Corp., que possui um escritório em Teerã, capital do Irã, já evacuou seus expatriados.
A Eneos Corp., uma das principais distribuidoras de petróleo, está considerando evacuar o país ou solicitar que seus funcionários presentes nos Emirados Árabes Unidos retornem ao Japão.

