O feriado de 9 dias do Ano Novo Lunar na China começa com o Japão sendo evitado devido a uma disputa.
PEQUIM – O feriado de nove dias do Ano Novo Lunar Chinês começou no domingo, com o Japão saindo da lista dos 10 destinos estrangeiros mais populares para viajantes chineses, depois que Pequim recomendou que seus cidadãos não visitassem o país vizinho devido às tensões diplomáticas em relação a Taiwan.
A Coreia do Sul deverá se tornar um dos principais destinos estrangeiros, com cerca de 250 mil visitantes chineses, um aumento de 1,5 vezes em comparação com o ano anterior. Outros países populares incluem Tailândia, Singapura, Vietnã, Turquia e Rússia, de acordo com a mídia local.
As tensões decorrem de declarações feitas em novembro pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, no Parlamento, sugerindo que o Japão poderia agir em caso de um ataque a Taiwan, uma ilha autônoma reivindicada pela China.
Em meio ao conflito entre Pequim e Tóquio, o número de turistas chineses que visitam o Japão durante o feriado do Ano Novo Lunar deverá diminuir em até 60% em comparação com o ano anterior.
Prevê-se um número recorde de 9,5 bilhões de viagens durante o período de 40 dias do Festival da Primavera, que se estende até 13 de março, conhecido em chinês como "Chunyun".
O consulado-geral da China em Osaka voltou a instar os cidadãos chineses, neste domingo, a evitarem viagens ao Japão, na sequência de um incidente fatal com faca ocorrido na noite anterior no movimentado bairro de Dotombori.
Os residentes chineses no Japão devem prestar muita atenção à situação, ao mesmo tempo que reforçam as medidas de segurança pessoal e aumentam a conscientização, disse o consulado em sua conta oficial no WeChat.
Após repetidos alertas de Pequim aos viajantes, baseados em alegações de aumento de crimes contra cidadãos chineses no Japão, um homem de 67 anos, no aeroporto de Xangai, afirmou no domingo que participaria de uma viagem em grupo para a Rússia após cancelar uma viagem ao Japão.
Entretanto, um turista de 45 anos com destino ao Japão disse que "entende" a intenção do governo chinês, mas acredita que "os intercâmbios entre pessoas são importantes".
Uma mulher de trinta e poucos anos de Xangai disse, antes do início do feriado, que planejava viajar para a província de Yamanashi, no Japão, com seus pais. "O alerta de viagem visa incentivar críticas ao Japão. Minha família não foi influenciada por essa visão", afirmou.
No sábado, o principal diplomata chinês, Wang Yi, criticou mais uma vez as declarações de Takaichi na Conferência de Segurança de Munique, afirmando que elas "colocam em questão diretamente a soberania da China". Ele também alertou sobre "tendências perigosas recentes no Japão", segundo a agência de notícias oficial Xinhua.
Pequim alega que o líder japonês tem tentado reviver o militarismo, temendo que Takaichi, conhecido por sua postura linha-dura em relação à segurança, possa fortalecer as capacidades de defesa do país e acelerar as deliberações sobre a emenda da Constituição pacifista do pós-guerra.

