Estudo descobre bactérias intestinais que aumentam a resposta imunológica ao câncer
Cientistas dizem ter encontrado e identificado uma bactéria intestinal que pode aumentar a eficácia da imunoterapia contra o câncer.
Os pesquisadores, principalmente do Centro Nacional de Câncer do Japão, disseram que verificaram o mecanismo detalhado pelo qual a bactéria afeta o ambiente imunológico ao redor de tumores malignos distantes dos intestinos.
Eles disseram que esperam que as bactérias sejam aplicadas em pesquisas clínicas em um futuro próximo.
As descobertas da equipe foram publicadas na revista científica britânica Nature em 15 de julho.
Agentes anticancerígenos chamados inibidores do ponto de controle imunológico, incluindo o renomado OPDivo, aproveitam as células T assassinas para atacar tumores.
Esses medicamentos melhoram a função das células imunológicas ao mesmo tempo em que bloqueiam a capacidade do carcinoma de escapar do sistema imunológico humano.
Entretanto, apenas cerca de 20% dos pacientes apresentam efeitos terapêuticos de longo prazo com inibidores de ponto de controle imunológico.
Estudos anteriores descobriram que algumas das mais de 100 trilhões de bactérias presentes no intestino humano podem influenciar o funcionamento dos inibidores de ponto de controle imunológico. Mas não estava claro quais deles eram realmente úteis no processo de tratamento.
Com isso em mente, a equipe de pesquisa analisou as fezes de 71 pacientes com câncer de pulmão e estômago.
Os cientistas então compararam as bactérias intestinais entre pessoas para as quais os inibidores do ponto de controle imunológico foram eficazes e aquelas para as quais eles não foram.
A análise mostrou que os pacientes com efeitos positivos tinham mais bactérias intestinais relacionadas à família dos ruminococos.
A equipe então identificou a cepa específica de bactéria dentro da família capaz de aumentar a eficácia dos inibidores de ponto de controle imunológico. A cepa foi denominada YB328 e cultivada com sucesso.
Na etapa seguinte, os cientistas conduziram um experimento em camundongos cujas bactérias intestinais foram removidas previamente.
O uso combinado de um inibidor do ponto de controle imunológico e YB328 reduziu o tamanho do carcinoma no teste.
A equipe também percebeu que a administração de YB328 ajudou a proporcionar impacto terapêutico mesmo em camundongos transplantados com fezes de pacientes que não apresentaram efeitos positivos do tratamento medicamentoso.
Os pesquisadores exploraram como o efeito terapêutico do YB328 no intestino atinge o sistema imunológico ao redor das células cancerígenas, apesar de sua distância dos intestinos.
Eles descobriram que o YB328 ativa células dendríticas no intestino, que desempenham um papel fundamental na resposta imune. Essa ativação permite que as células dendríticas se desloquem para tecidos cancerígenos e linfáticos em órgãos distantes, facilitando a função das células T killer próximas aos tumores e, assim, desencadeando efeitos imunológicos.
Segundo a equipe, a YB328 pode ser considerada uma bactéria segura, já que foi confirmada em 20% das pessoas no mundo todo, independentemente de raça ou região.
“A administração de YB328 pode permitir que os inibidores do ponto de controle imunológico manifestem seus efeitos terapêuticos mesmo em pacientes que, de outra forma, não se beneficiariam deles”, disse Hiroyoshi Nishikawa, chefe da Divisão de Imunologia do Câncer do Instituto Nacional de Pesquisa do Centro do Câncer.
Os resultados da equipe podem ser encontrados em (https://www.nature.com/articles/s41586-025-09249-8).
(Este artigo foi escrito por Chisato Matsumoto e Ayaka Kibi.)

