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Cauteloso com incidentes passados, o Aeroporto de Narita está prosseguindo com cautela em sua expansão.

NARITA, Prefeitura de Chiba — O Aeroporto Internacional de Narita (NAA) está considerando desapropriar terras para fins de expansão, uma medida que pode exigir negociações delicadas com os moradores para evitar a repetição do caos que ocorreu após ações semelhantes.

A expectativa é que a operadora do aeroporto informe em breve o Ministério das Terras sobre seu plano de adquirir terrenos para novas pistas por meio da lei de desapropriação, segundo diversas fontes. Uma decisão formal para iniciar o processo poderá ser tomada em junho.

No entanto, a NAA planeja primeiro obter uma melhor compreensão das comunidades locais.

Os primeiros tempos do Aeroporto de Narita foram marcados por construções forçadas, desapropriações de terras e protestos que se tornaram mortais.

Embora a oposição ao aeroporto tenha diminuído desde então e os moradores agora reconheçam os benefícios da instalação, a NAA está tomando muito cuidado para não parecer autoritária novamente.

'SEGUNDA ABERTURA'

Em outubro de 2025, pela primeira vez em 10 anos, o limite anual de decolagens e pousos no Aeroporto de Narita foi aumentado de 300.000 para 340.000.

Esse aumento fez parte do "segundo projeto de abertura" do aeroporto, que inclui a construção de uma terceira pista, a pista C, com aproximadamente 3.500 metros de comprimento.

Além disso, a segunda pista B existente será estendida em 1.000 metros.

O objetivo da expansão é permitir que o aeroporto eventualmente realize 500.000 pousos e decolagens por ano.

Segundo a NAA, o aumento do número de voos também elevará o volume de carga movimentada pelo Aeroporto de Narita, de 2 milhões de toneladas atualmente para 3 milhões de toneladas por ano.

Prevê-se que o número de funcionários do aeroporto aumente de 40.000 para 70.000.

A NAA também planeja atrair indústrias, como a de aviação e aeroespacial, para a área circundante.

Essencialmente, o Aeroporto de Narita visa capitalizar o crescente número de visitantes estrangeiros no Japão e acompanhar os mega-aeroportos em países como a Coreia do Sul e a China.

O governo japonês estabeleceu a meta anual de atrair 60 milhões de visitantes estrangeiros ao Japão até 2030. Por isso, está empenhado em fortalecer as funções aeroportuárias da região metropolitana de Tóquio, incluindo o Aeroporto de Haneda.

No entanto, Haneda, que já realiza 500.000 decolagens e pousos por ano, tem pouco terreno disponível para expansão, o que dificulta novas melhorias funcionais.

Como resultado, o financiamento foi direcionado para o Aeroporto de Narita, que está localizado fora da superlotada capital, na vizinha província de Chiba, e possui espaço disponível para expansão.

Se o segundo projeto de abertura for concluído, o número combinado de decolagens e pousos em Narita e Haneda chegará a aproximadamente 1 milhão por ano, colocando-os em pé de igualdade com grandes aeroportos urbanos como Londres e Nova York.

Como parte do projeto, a área atual de Narita dobraria de tamanho, o que exigiria a aquisição de mais 1.099 hectares de terra.

PROTESTOS VIOLENTOS

Em 1966, o Gabinete aprovou a construção do Aeroporto de Narita no distrito de Sanrizuka, na cidade de Narita.

Mas essa decisão repentina gerou confusão entre os moradores e desencadeou movimentos de oposição.

Em setembro de 1971, durante uma segunda execução forçada em andamento no aeroporto, três policiais foram mortos em confrontos com manifestantes.

Em 1978, manifestantes radicais tomaram a torre de controle do aeroporto.

Apesar da crescente agitação social, o aeroporto foi inaugurado ainda naquele ano.

Um ponto de virada ocorreu quando o governo e os opositores do aeroporto se engajaram abertamente em um diálogo em conferências públicas e mesas-redondas.

No simpósio sobre os problemas do Aeroporto de Narita, realizado entre 1991 e 1993, o governo pediu desculpas por sua abordagem autoritária na construção do aeroporto. Anunciou também que retiraria suas exigências de desapropriação de terras ainda não adquiridas.

Em mesas-redondas subsequentes, em 1993 e 1994, as comunidades locais e o aeroporto confirmaram que buscavam a coexistência.

Desde então, a renúncia às medidas coercitivas foi apelidada de "Constituição de Narita", segundo um líder da NAA. Métodos compulsórios, como a expropriação de terras, foram considerados "ações proibidas".

Mesmo durante a construção e expansão da segunda pista de Narita, que entrou em operação em 2002, nenhuma medida coercitiva foi utilizada.

APOIO LOCAL

A posição do Aeroporto de Narita começou a enfraquecer quando o Aeroporto de Haneda aumentou seus voos internacionais e outros aeroportos asiáticos ganharam destaque.

Organizações econômicas e grupos privados ligados ao Aeroporto de Narita têm sentido uma crescente sensação de crise e começaram a exigir um maior fortalecimento das funções do aeroporto.

Em fevereiro deste ano, um encontro de estudos de Ano Novo, organizado por um grupo privado que defende o desenvolvimento da Rota C, foi realizado em Tako, na província de Chiba. Aproximadamente 380 pessoas estiveram presentes.

Perto do final do evento, um homem se levantou para falar.

"Podemos afirmar que a abordagem à construção de aeroportos, que antes priorizava apenas a lógica das construtoras com as quais lutávamos, sofreu uma guinada de 180 graus em direção a uma abordagem democrática para o desenvolvimento aeroportuário", disse o homem.

O orador foi Hiromichi Ishige, de 76 anos, que já foi secretário-geral de um grupo de oposição durante os violentos confrontos pela construção do aeroporto.

Alguns antigos opositores estão agora mesmo a defender a reconsideração da expropriação de terras, um procedimento coerciva que anteriormente havia sido abandonado.

EVITE OS ERROS DO PASSADO

Altos funcionários da NAA afirmam que continuarão a fornecer explicações detalhadas e a buscar compreensão para evitar a repetição de erros do passado.

"Entramos numa era em que pessoas que antes se opunham ao aeroporto agora apoiam o fortalecimento de suas funções", disse um executivo da NAA.

Outro líder afirmou: "Se dermos um passo em falso, a história poderá se repetir. Mesmo que estejamos caminhando para a expropriação de terras, não há alternativa a não ser aprender com a história de Narita e continuar a fornecer explicações completas e cuidadosas."

(Este artigo foi compilado a partir de reportagens de Takeshi Owada, Yuji Masuyama e Seiichi Kobayashi.)