Nissan fechará dois estúdios de design nos EUA e no Brasil para impulsionar reestruturação

A Nissan reportou um prejuízo líquido de 533,10 bilhões de ienes para o ano fiscal de 2025; as previsões apontam para um retorno ao território negativo.

YOKOHAMA – A Nissan Motor Co. anunciou nesta quarta-feira que registrou um prejuízo líquido de 533,10 bilhões de ienes (US$ 3,4 bilhões) no ano fiscal encerrado em março, devido a custos de reestruturação, marcando o segundo ano consecutivo no vermelho, embora preveja um retorno à lucratividade no ano fiscal corrente.

A montadora japonesa em dificuldades reportou um lucro operacional de 58,01 bilhões de ienes para o ano fiscal de 2025, uma queda de 16,9% em relação ao ano anterior, mas em linha com sua estimativa anterior. Anteriormente, a empresa havia previsto um prejuízo operacional de 60 bilhões de ienes, antes de revisar suas projeções no final de abril, citando o progresso mais rápido do que o esperado nos esforços de reforma, a desvalorização do iene e ganhos pontuais com mudanças nas regulamentações de emissões dos EUA.

As vendas caíram 4,9%, para 12,01 trilhões de ienes, enquanto as vendas de carros nos Estados Unidos caíram 3,4%, para 906 mil unidades.

A empresa, que registrou um prejuízo líquido de 670,90 bilhões de ienes no ano anterior, continuou seus esforços massivos de reestruturação para restaurar a lucratividade, incluindo o fechamento de sete fábricas de veículos no Japão e no exterior e a eliminação de 20.000 empregos em todo o mundo até o ano fiscal de 2027.

O presidente e CEO da Nissan, Ivan Espinosa, afirmou em uma coletiva de imprensa que o progresso de seu plano de reestruturação, anunciado em maio do ano passado, estava "estável", apesar de um ambiente operacional incerto, acrescentando: "Acho que, em um ano, a empresa mudou radicalmente."

Em relação aos custos fixos, "estamos adiantados em relação ao cronograma, com uma economia de 200 bilhões de ienes", acrescentou Espinos.

O relatório mais recente sobre os resultados surge após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter imposto tarifas de 27,5% sobre carros importados do Japão em abril do ano passado, um aumento em relação aos 2,5% anteriores. A taxa foi posteriormente negociada para 15% em julho e implementada oficialmente em setembro.

A empresa afirmou que o impacto das tarifas em seu lucro operacional foi de 286 bilhões de ienes, valor superior à estimativa anterior de 275 bilhões de ienes.

Durante o ano fiscal que acaba de terminar, as vendas globais totalizaram 3,15 milhões de unidades, uma queda de 5,8% em comparação com o ano anterior, enquanto as vendas no Japão caíram 13,5%, para 399.000 veículos.

Para o atual ano fiscal, que termina em março do próximo ano, a empresa prevê um lucro líquido de 20 bilhões de ienes.

A expectativa é que seu lucro operacional aumente 3,4 vezes, para 200 bilhões de ienes, com vendas de 13 trilhões de ienes, um aumento de 8,3%.

A montadora espera que suas vendas globais no período aumentem 4,7%, para 3,30 unidades.

A empresa afirmou que as vendas na China devem crescer 8,7%, atingindo 710 mil unidades, impulsionadas por novos modelos e uma abordagem mais regionalizada.

O impacto das tensões no Oriente Médio este ano é estimado em cerca de 15 bilhões de ienes no lucro operacional, principalmente na forma de menores vendas e maiores custos de materiais, acrescentou ele.

A montadora encontrou rotas de transporte alternativas para entregar seus produtos, mas não nos níveis pré-crise. A Nissan também está considerando realocar alguns produtos para outras regiões para minimizar o impacto, disse Espinosa.

Em abril, a Nissan anunciou sua intenção de adicionar um sistema de direção autônoma com inteligência artificial a 90% de seus futuros modelos para ajudar a reanimar as vendas em declínio, ao mesmo tempo em que delineou uma estratégia para reduzir sua gama de modelos em 20% e aumentar as vendas em seus três principais mercados: Japão, Estados Unidos e China.

Entretanto, a Nissan e sua rival Honda Motor Co. buscavam criar uma holding para fundir seus negócios, mas anunciaram em fevereiro de 2025 que o projeto – que teria criado a terceira maior montadora do mundo em volume – havia sido abandonado.

Espinosa declarou durante outra mesa redonda: "Não temos nada a compartilhar no momento, mas continuamos trabalhando muito ativamente com eles."