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O governo japonês estuda os passos finais para colocar em prática o plano de receber mais trabalhadores estrangeiros a partir do ano que vem, porém antes da reunião que dará o aval definitivo para a aprovação da nova lei, a oposição do governo cobra uma postura mais séria do partido do governo.

Na semana passada, muitos partidos de oposição classificaram a política de receber mais trabalhadores estrangeiros do primeiro-ministro Shinzo Abe como “irresponsável”.

A oposição questiona questões como a segurança pública, a adaptação dos estrangeiros ao Japão, mas principalmente as condições de trabalho que serão oferecidas.

A promessa do governo é de salários iguais aos dos trabalhadores japoneses com os mesmos direitos trabalhistas, mas a oposição tem chamado atenção para o fato do país ter um histórico ruim quando se trata de salários e direitos trabalhistas para estrangeiros.

Para comprovar a sua tese, membros dos partidos de oposição convidaram na quinta-feira (8) chineses, vietnamitas e outros estrangeiros do “programa de treinamento técnico” para uma conversa sobre as dificuldades e outros problemas enfrentados no trabalho.

O programa de treinamento técnico do governo japonês é destinado a jovens da Ásia, para que eles possam estudar no Japão e adquirir conhecimentos técnicos, mas na prática, ele tem sido usado pelas empresas japonesas como forma de obter mão-de-obra barata e descartável.

Os casos de asiáticos sendo abusados pelos superiores no trabalho são frequentes, porém poucos são solucionados. A oposição do governo sabe disso e tem usado a questão como forma de se opor a reforma nas leis de absorção de mão-de-obra estrangeira proposta pelo governo.

Os jovens que participaram da conversa relataram vários casos de abuso de poder por parte das empresas. Um deles relata que já chegou a trabalhar ganhando apenas 300 ienes por hora-extra (a média é de 800 ienes) e sendo forçado a ficar até de madrugada na fábrica. Casos de turnos de trabalho das 8 da manhã até à meia-noite não são incomuns, contam os entrevistados.

Outros relatam casos de acidentes de trabalho que não foram indenizados pelas empresas, além de que, um simples atraso de alguns minutos gera motivos para que as empresas demitam os funcionários indesejados.

Em muitos casos, mesmo que os jovens asiáticos tentem ir contra a ordens de seus superiores, ouvem apenas respostas como: “se não quiser obedecer, volte para seu país!”, deixando muitos sem alternativa, pois a grande maioria ainda recebe um salário maior no Japão do que em seus países de origem.

Diante dos relatos dos jovens, a oposição do governo questiona os planos de receber mais estrangeiros. A justificativa é que se o atual programa de treinamento técnico já apresenta tantos problemas de crimes contra os direitos humanos, a introdução dos novos vistos e a aprovação das leis de recepção de estrangeiros tornaria a situação ainda pior.

A oposição espera que o governo melhore as condições de trabalho e resolva os problemas do atual programa de treinamento técnico, caso contrário, o grupo não tem intenção de aceitar qualquer mudança nas leis de recepção de trabalhadores estrangeiros.

Fonte: TV Asahi, NHK WEB NEWS, Jiji.com

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