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Sem caixa registradora: bibliotecas escolares oferecem apoio por meio de livros sensíveis.

HANNO, Prefeitura de Saitama – Em um canto tranquilo da biblioteca da Escola Secundária de Hanno, uma estante contém aproximadamente 100 títulos que os alunos podem pegar emprestados sem preencher um formulário, escanear um código de barras ou mesmo ir até um bibliotecário.

Eles podem simplesmente pegar um livro, levá-lo para fora do estabelecimento e devolvê-lo quando terminarem, sem precisar fazer nenhuma pergunta.

Esse sistema não convencional, apelidado de "Livros que te protegem", faz parte de um movimento crescente nas escolas japonesas para tornar materiais de leitura sensíveis mais acessíveis a alunos que enfrentam dificuldades em silêncio.

A estante inclui livros sobre violência no namoro, gravidez, bullying, automutilação e suicídio – títulos que muitos adolescentes podem se sentir desconfortáveis ​​em consultar pelos meios tradicionais.

A iniciativa começou em 2016 sob a liderança do então bibliotecário, Yasuhiro Yukawa, que transformou a biblioteca isolada da escola em um espaço acolhedor chamado "Biblioteca Sumikko (cantinho)".

Yukawa acrescentou elementos aconchegantes, como kotatsu — mesas baixas cobertas com cobertores e aquecidas por baixo — além de redes e jogos de tabuleiro. Ele também criou espaços para conversas tranquilas, para que o ambiente parecesse menos institucional e mais um refúgio.

“Se um livro fica numa prateleira sem ser lido, é como se não existisse”, disse Yukawa. “Mesmo que o dinheiro nunca seja devolvido, se ajudar apenas um aluno, já valeu a pena.”

É notável que nenhum livro tenha desaparecido desde o início do programa. Embora não haja registro de pagamentos, é evidente que os livros estão sendo lidos: os títulos são frequentemente encontrados em lugares diferentes na estante.

O atual bibliotecário, Hideto Takahashi, ampliou o acervo para incluir memórias em quadrinhos sobre pais tóxicos e livros sobre transtornos psiquiátricos.

"É também uma forma de os adultos da escola dizerem: 'Nós nos importamos com vocês'", acrescentou Yukawa.

A ideia se espalhou discretamente. As escolas secundárias Kawagoe Nishi e Misato Kita, na mesma província, instalaram prateleiras semelhantes.

Na Universidade e Faculdade Tokyo Shiraume Gakuen, a bibliotecária Fumi Hiruma introduziu o conceito em 2024, após descobrir a abordagem na Escola Secundária Hanno.

Como a maioria dos usuários de sua biblioteca tinha 18 anos ou mais, ela organizou títulos sobre empregos abusivos de meio período e golpes financeiros.

"Os livros oferecem conhecimento estruturado", disse Hiruma. "Mesmo que apenas despertem curiosidade, já fizeram diferença."

Os especialistas estão atentos.

Yoshikazu Hinata, professor de biblioteconomia e ciência da informação na Universidade de Tsuru, na província de Yamanashi, saudou a iniciativa.

"Essa abordagem prioriza a entrega de livros para quem precisa", disse Hinata. "É um modelo bem-sucedido que deveria ser adotado de forma mais ampla."