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Letícia Tiwata Rodrigues, mais conhecida como Letícia Bordados, natural de Osasco (SP), veio ao Japão com 18 anos para trabalhar e conquistar sua independência financeira. Desde muito nova, sempre foi apaixonada por artesanatos, pois sempre via sua mãe, trabalhando como costureira e artesã dia e noite para dar o melhor para os filhos.

Casada desde os 18 anos com Jean Mendes, Letícia aprendeu logo cedo o que era responsabilidade e no Japão não foi diferente. Mesmo trabalhando em fábrica, aos 22 anos de idade conseguia arranjar tempo para cuidar da família, da casa, do trabalho e ainda dar início ao seus trabalhos como artesã.

“Trabalho com bordados computadorizado há mais de 15 anos no Japão. Nunca imaginei que fosse trabalhar com isso, mas um dia fui em um mercado brasileiro e havia uma mulher expondo essas máquinas de bordar. Quando vi, achei incrível. Falei pro Jean que precisava de uma máquina dessas, porque queria bordar todas nossas toalhas, panos de prato fazer enxoval dos nossos filhos, enfim eu queria uma. Meu esposo comprou pra mim, mas ficou dois anos guardada no guarda roupa, pois eu não tinha tempo pra fazer e aprender. Até que um dia ele disse que iria vender a máquina por estar só ocupando espaço no guarda roupa. Foi só ele dizer isso, que peguei a máquina e comecei a fazer toalhas e presentear alguns amigos com frases e nomes. Não demorou muito, os pedidos começaram aparecer e no boca no boca, comecei a fazer e vender pra amigos da região onde moro. Na época, criei um perfil no Orkut para a divulgar as vendas, então começou a entrar pedidos de outras regiões do Japão e eu passei a enviar encomendas pelo correio.” Disse.

Na época em que começou a bordar, teve muita dificuldade, pois no Japão não conhecia nenhuma escola que oferecesse esse tipo de curso. Mas através da internet conheceu uma mulher do Brasil que era bordadeira, Sandra Costa, que a ensinou muitas técnicas que a ajudaram a aperfeiçoar ainda mais seu trabalho. Ambas são grandes amigas e Letícia é muito grata pelo incentivo que teve para poder dar continuidade com seus bordados.

Para ela, o trabalho como artesã é gratificante, pois é nele que encontra formas de explorar sua criatividade, usa como terapia antiestresse e consegue oferecer algo criativo aos seus clientes. Mas trabalhar com jornada dupla, fez com que ela e sua família abrisse mão dos finais de semana entre amigos, festas de aniversários e datas comemorativas com os familiares. Mas com o apoio do marido e agora também de seu filho Guilherme Tiwata Rodrigues de seis anos, a família se ajuda e sempre que pode, vão juntos aos eventos para trabalharem com as vendas do Letícia Bordados.

“Não é fácil abrir mão de estar com os amigos, já dispensei muitos convites porque estava trabalhando ou entregando alguma encomenda. Sou muito grata ao meu esposo que me ajuda muito com a organização da casa, é um paizão pro nosso filho, quando estou muito atarefada e vou dormir de madrugada, ele me ajuda na limpeza das linhas e entretelas das toalhas. Realmente não daria conta se não tivesse meu esposo me apoiando porque ele vê o quanto me dedico em cada peça feita, quanto amor eu coloco no meu trabalho, na casa, nos eventos e no trabalhado da fábrica. Não é fácil, mas nada é impossível.”

Atualmente com 37 anos e quinze anos de experiência como bordadeira profissional, Letícia decidiu dar um grande passo como empreendedora. Foi para o Brasil aprender novas técnicas, criar parcerias com fornecedores de linhas e acessórios, e até o final ano abrirá um espaço para vendas e cursos de bordados e artesanatos.

Letícia que já virou referência no seu segmento, quer mostrar às mulheres que é possível obter uma profissão, ganhar uma renda extra, além de ser algo satisfatório para a vida pessoal.

“Nossa vida no Japão não é fácil. Estamos envelhecendo e minha pergunta é: O que você tem feito por você durante todos esses anos? Muitas pessoas vivem no Japão, trabalham, mas não guardam dinheiro, não investem em si mesmo e não têm perspectiva de crescimento. Quero poder mostrar às mulheres que é possível fazer algo diferente, começar a ter uma renda extra, se distrair com o trabalho e ver que a rotina do dia a dia pode ser mudada, se ela tiver força de vontade. Por isso pretendo criar uma associação de mulheres que queiram empreender. Quero formar um grupo onde uma ajudará a outra, passando clientes e serviços através de indicações. A ideia é sermos parceiras, com respeito e sororidade, sem competição. As vezes, precisamos dispensar encomendas por não darmos conta do trabalho. Por isso a associação terá como objetivo uma ajudar a outra para sermos mais unidas como empreendedoras.”

Com o apoio de grandes parceiros, como César Valentim, Cristiano Tiwata, Wagner Mattos e Benedito Silva, Letícia diz que para ter sucesso profissional, é necessário união, respeito, parceria e muita força de vontade.

Letícia finaliza com uma linda mensagem às mulheres que desejam empreender, mas que sentem medo de ir em busca de seus sonhos: “A vida é tão curta porque não trabalhar naquilo que amamos fazer, naquilo que te deixa feliz. Bora ser Feliz minha gente! Acredite! Melhor se arrepender de ter feito algo que talvez não dê certo, do que nunca ter tentado.”

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