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Apesar da forte onda de coronavírus, onde o governo japonês tem pedido para que as pessoas evitem aglomerações em parques e eventos, os japoneses este ano pretendem se manter um pouco mais reservados quanto aos festivais de sakura por todo o país, mas sem deixar que a história seja esquecida.

Março e abril são os meses mais esperados pelos japoneses, pois é chegado o fim do inverno, do frio, da neve e das cores pálidas que compõe o inverno japonês.
Com o início da primavera, as paisagens brancas e frias cedem espaço a um mar de flores de Sakura rosadas que proporcionam um dos maiores espetáculos da natureza no país. Elas começam a desabrochar nas árvores no sul do Japão, em Okinawa, e vão em direção ao norte, até Hokkaido. O fenômeno, que dura dois meses e se “move” como uma onda, é chamado Sakura Zansen, que significa, linha de frente das cerejeiras. Os grandes apreciadores da flor fazem verdadeiros roteiros turísticos para acompanhar a transformação da paisagem ao longo do país.

Conta a lenda que uma princesa desceu dos céus e aterrissou em uma cerejeira. Acredita-se então que o nome sakura, na verdade, é derivado do nome da princesa Konohana Sakuya Hime, que significa “a princesa das árvores das flores abertas”.

Outros dizem que o nome da planta tem sua origem no cultivo de arroz e sua divindade. A segunda parte do nome, kura, faria referência à sua morada. A flor de cerejeira nasceu como representante da aristocracia japonesa e, portanto, sua única missão é ser bonita. Mas ela tem outras utilidades: apesar de não dar frutos, a madeira da árvore é utilizada na produção de móveis e blocos para impressão de ukiyo-ê dos séculos 16 e 17.

Até as flores são utilizadas e, depois de ficarem em conserva no sal, se transformam em um chá, o sakura-yu, usado nas festas de casamento para pedir felicidade ao novo casal. A primavera inspira também o cardápio japonês. Doces, bebidas e alguns pratos ganham o toque das flores no formato e no sabor.

São comuns docinhos simples, feitos de açúcar, em formato de sakura, conhecidos como Wagashi. O tradicional bolinho de massa de arroz, quando enrolado na folha da cerejeira, vira o sakura-mochi. Outras flores, como uma espécie comestível de crisântemo, também dão colorido aos pratos.

Uma das principais características da cerejeira é sua efemeridade. O fato de as flores durarem pouco tempo nos galhos das árvores impressionou muito os japoneses na Idade Média, período de guerras, o que fazia com que as pessoas sentissem que tinham a vida ameaçada a todo momento.

 

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