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TOKYO (IPC Digital) – Uma matéria da revista semanal Spa!, publicada no dia 19 de maio, relata o problema social de parte das mulheres solteiras do Japão, chamadas pela revista de “sem-teto invisíveis”. Segundo uma pesquisa realizada pela publicação da editora Nikan, cerca de um terço das mulheres que moram sozinhas no Japão estão “afundando na pobreza”.

A matéria trás o relato de várias mulheres que enfrentam dificuldades financeiras. Yumi (27), recepcionista de um clube noturno de Tokyo, é uma delas. Mãe solteira aos 18 anos, ela deixou seu filho recém-nascido com seus pais e se mudou para Tokyo em busca de melhores oportunidades.

Depois de tentar vários empregos, ela conseguiu se estabelecer em um clube noturno, onde, segundo ela, ganha mal o suficiente para não conseguir pagar o aluguel de um apartamento. Todas as manhãs, quando sai do trabalho, ela paga ¥1.000 por algumas horas de descanso em uma poltrona de um internet café. De acordo a revista, ela não demostrava estar feliz durante a entrevista. As marcas nos pulsos e pescoço sugerem que as tentativas de suicídio falharam.

Satomi (31), trabalha em um escritório e ganha pouco mais do que ganhava quando se formou – ¥140 mil por mês. Segundo ela, metade de seu salário é usado para cobrir as despesas do apartamento onde mora. “Meus amigos de escola encontraram outros empregos melhores, mas eu não tinha habilidades e nenhuma confiança. Quando eu me dei conta, já tinha passado dos 30 anos.” disse ela à Spa!.

Embora tenha ocorrido avanços nas políticas de empoderamento das mulheres nos últimos anos, a terceira flecha do Abenomics – plano do primeiro-ministro Shinzo Abe que inclui a valorização da mulheres no mercado de trabalho – parece estar se desviando de mulheres como as ouvidas pela revista.

De acordo com a Federação das Mulheres de Negócios do Japão, em média, uma trabalhadora japonesa precisa trabalhar 3 meses de 10 dias a mais para ganhar o mesmo salário anual de um homem.

Um estudo realizado por uma ONG de Osaka, divulgado em fevereiro, revelou o desafio que muitas mães solteiras da cidade enfrentam para conseguir alimentar os seus filhos. Segundo a fundadora da organização, Yukiko Tokumaru, o problema é grave e se tornou um “circulo vicioso”. Muitas mães solteiras, que foram abusadas pelos ex-maridos, sofrem com o estigma da separação e, por ainda estarem casadas oficialmente, não são elegíveis para receber a ajuda social oferecida pelo governo.

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