Foto/Ilustração

Takaichi insta Pezeshkian a garantir a segurança do trânsito em Ormuz.

A primeira-ministra Sanae Takaichi pediu ao presidente iraniano Masoud Pezeshkian que garantisse a passagem segura de navios de todos os países, incluindo os aliados do Japão, pelo estreito de Ormuz, que está sob bloqueio.

"O mais importante é que se consiga de fato uma desescalada da situação, em particular garantindo a passagem segura pelo Estreito de Ormuz", disse Takaichi aos repórteres após a conversa telefônica em 8 de abril.

Takaichi e Pezeshkian conversaram durante 25 minutos a partir das 16h, algumas horas depois de os Estados Unidos e o Irã anunciarem um cessar-fogo de duas semanas em seu conflito militar.

O Estreito de Ormuz permanece sob bloqueio iraniano de facto, deixando mais de 3.000 navios, incluindo cerca de quarenta com ligações ao Japão, presos no Golfo Pérsico a oeste desta estreita via navegável.

Takaichi enfatizou que o Estreito de Ormuz é uma artéria crucial para a logística global e constitui um "bem público internacional".

Como parte das negociações com os Estados Unidos, o Irã exigiria a cobrança de taxas de trânsito para navios que transitassem pelo estreito.

O Japão acompanha com preocupação a evolução da situação.

Em comunicado divulgado em 8 de abril, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a passagem segura pelo Estreito de Ormuz seria possível por duas semanas graças à coordenação com o exército iraniano.

“Até mesmo os procedimentos administrativos, como as negociações com os militares, levarão um tempo considerável”, disse um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Japão. “É impossível prever o volume de tráfego que passará por aqui.”

Takaichi disse que informou a Pezeshkian que o Japão acolheu o acordo de cessar-fogo como um desenvolvimento positivo.

"Também disse que esperamos que um acordo final seja alcançado o mais breve possível por meio da diplomacia", afirmou ela.

Takaichi afirmou que os dois líderes concordaram em manter uma comunicação estreita.

Essa foi a primeira conversa entre eles desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques militares contra o Irã em 28 de fevereiro.

O Japão também realizou três rodadas de negociações em nível de ministros das Relações Exteriores com o Irã.

"Para o Irã, as negociações com o Japão servem como moeda de troca contra os Estados Unidos", disse uma fonte do governo. "Da mesma forma, para o Japão, manter conversas com o Irã envia uma mensagem aos Estados Unidos."

O presidente dos EUA, Donald Trump, expressou sua frustração com a falta de apoio do Japão no conflito militar com o Irã.

Takaichi também está explorando a possibilidade de falar com Trump por telefone.

"Estaremos envolvidos em todas as frentes, incluindo os Estados Unidos, o Irã e os países produtores de petróleo (árabes)", disse um alto funcionário do gabinete do primeiro-ministro.

Durante uma sessão da comissão orçamentária da câmara alta, em 6 de abril, Takaichi afirmou que estavam sendo feitos preparativos para uma conversa telefônica com Pezeshkian em um momento oportuno.

Ela também declarou à mesma comissão no dia seguinte: "Não sei se posso servir como mediadora, mas apelarei a ambos (Estados Unidos e Irã) sobre a importância de uma rápida desescalada."

Durante as conversas com Pezeshkian, Takaichi disse que levantou a questão de um cidadão japonês preso em janeiro no Irã e libertado sob fiança em 6 de abril, e pediu uma "resolução rápida" do assunto.

A mídia estrangeira noticiou que o indivíduo era o chefe da sucursal de Teerã da emissora pública japonesa NHK (Japan Broadcasting Corp.).