Takanashi ainda não concluiu sua participação na prova de salto de esqui por equipes mistas.

Takanashi ainda não concluiu sua participação na prova de salto de esqui por equipes mistas.

MILÃO – Sara Takanashi chorou duas vezes em Pequim – primeiro após sua desclassificação e depois depois que o Japão perdeu por pouco uma medalha olímpica.

Quatro anos depois, ela está de volta aos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, ainda em busca de encerrar a competição por equipes mistas que quase pôs fim à sua carreira.

O atleta de 29 anos foi o primeiro a representar o Japão na estreia olímpica da competição mista por equipes nos Jogos de Pequim em 2022, alcançando a marca de 103 metros antes de ser desclassificado por uma violação do uniforme.

Apesar de ter se recuperado durante o segundo salto, o Japão terminou em quarto lugar.

Takanashi sofreu uma queda na rampa de aterrissagem e outra após a competição, publicando posteriormente um pedido de desculpas no Instagram com uma imagem completamente preta. Ela havia planejado se aposentar ao final da temporada.

Em vez disso, os meses que se seguiram mudaram sua trajetória. Em maio de 2022, na casa de seus pais em Kamikawa, Hokkaido, ela leu cartas de fãs.

Uma fã idosa escreveu que vê-la saltar lhe deu forças para continuar vivendo. Outra disse que suas apresentações a inspiraram a lutar contra a doença.

"As pessoas que disseram que me ver pular as fez se sentir melhor me deram ainda mais vontade de continuar tentando", disse Takanashi.

A decisão de continuar também a levou de volta ao início de sua carreira. Ela ainda se lembra muito bem de 10 de janeiro de 2011, no estádio de salto de esqui Okurayama, em Sapporo, quando, aos 14 anos, saltou 141 metros na Copa HBC, superando o vencedor masculino e sentindo o entusiasmo compartilhado pela multidão.

"Estou ansiosa por esse momento", disse ela. "Quando poderei compartilhar a alegria com todos."

Esse sentimento sustentou uma carreira que inclui um recorde de 63 vitórias na Copa do Mundo, mais do que qualquer outro saltador de esqui, seja homem ou mulher. Tal sucesso, no entanto, tornou-se mais difícil de alcançar nas últimas temporadas.

Takanashi, que conquistou uma medalha de bronze individual na prova de pista normal nos Jogos Olímpicos de Pyeongchang em 2018, não vence uma etapa da Copa do Mundo há quase quatro anos e tem tido dificuldades para chegar ao pódio desde a última temporada.

Ela diz que sua motivação mudou.

"Quero fazer algo para ajudar as pessoas", disse ela. "Quero recompensá-las com resultados."

O Japão entra na competição por equipes mistas desta terça-feira com uma equipe forte. O ás do masculino, Ryoyu Kobayashi, junta-se a Ren Nikaido, terceiro colocado na classificação geral da Copa do Mundo desta temporada, enquanto a equipe feminina inclui a atleta em ótima fase, Nozomi Maruyama, que conquistou a medalha de bronze na prova individual de salto em rampa normal no sábado.

Cada nação inscreve dois homens e duas mulheres, com todos os quatro atletas realizando dois saltos para determinar os medalhistas. O formato enfatiza a consistência e a compostura.

Takanashi terminou em 13º lugar na prova individual de salto em rampa normal na Itália, mas manteve a confiança. "Meu segundo salto será muito útil", disse ela após a competição. "Há coisas em que preciso pensar, mas a medalha de bronze da Nozomi me deu um impulso."

A Eslovênia, liderada pelos irmãos Domen e Nika Prevc, ambos no topo da classificação geral da Copa do Mundo desta temporada, deverá ser a principal rival do Japão, juntamente com uma seleção alemã bem equilibrada.

Para Takanashi, a competição por equipes mistas tem um significado que vai além das medalhas. Depois de assumir o peso de Pequim às vésperas da aposentadoria, ela optou por dedicar mais quatro anos ao esporte.

"Quero retribuir com resultados", disse ela, "não fugir e desistir."