Trump e Xi abrem a cúpula de Pequim elogiando o progresso comercial.
PEQUIM, 14 de maio — Xi Jinping, da China, elogiou as negociações comerciais positivas com os Estados Unidos no início de uma cúpula de dois dias com o presidente Donald Trump em Pequim, nesta quinta-feira. Espera-se que as discussões também abordem o acordo nuclear com o Irã e a venda de armas americanas para Taiwan. Com os índices de aprovação em baixa devido ao seu envolvimento no Oriente Médio, a tão aguardada viagem de Trump à China — a primeira de um presidente americano ao principal rival estratégico dos Estados Unidos desde sua última visita em 2017 — ganhou ainda mais importância.
"Você é um grande líder, às vezes as pessoas não gostam que eu diga isso, mas eu digo mesmo assim", disse Trump a Xi depois que o líder chinês ofereceu uma grande recepção para ele no imponente Grande Salão do Povo, em Pequim, com uma guarda de honra e multidões de crianças acenando com flores e bandeiras americanas e chinesas.
"Alguns dizem que esta pode ser a maior cúpula de todos os tempos", disse Trump. "É uma honra estar com vocês. É uma honra ser seu amigo, e as relações entre a China e os Estados Unidos serão melhores do que nunca", acrescentou.
Xi Jinping abriu a cúpula dizendo a Trump que relações estáveis entre a China e os Estados Unidos beneficiam o mundo inteiro. "Quando cooperamos, ambos os lados se beneficiam; quando entramos em conflito, ambos os lados sofrem." Ele também afirmou que as conversas preparatórias realizadas na quarta-feira por equipes econômicas e comerciais na Coreia do Sul alcançaram um "resultado geral equilibrado e positivo", segundo um comunicado da agência de notícias oficial chinesa Xinhua.
A última rodada de negociações teve como objetivo manter a trégua comercial alcançada em outubro passado e estabelecer mecanismos para apoiar o comércio e o investimento futuros, disseram autoridades familiarizadas com o assunto.
Acompanhando Trump na viagem estava um grupo de CEOs que buscavam resolver questões com a China, incluindo Elon Musk e Jensen Huang, CEO da Nvidia, que se juntou à comitiva de última hora. Trump afirmou que seu primeiro pedido a Xi seria para que a China fosse "aberta" à indústria americana.
Musk, Huang e Tim Cook, da Apple, estiveram presentes nas conversas iniciais entre os líderes. Musk declarou aos repórteres que as conversas foram "maravilhosas" ao sair do Grande Salão. Os encontros de liderança desta semana permitirão que Xi e Trump passem um tempo considerável juntos: após as conversas iniciais, eles visitarão o Templo do Céu, Patrimônio Mundial da UNESCO, e participarão de um banquete de Estado na quinta-feira, antes de tomarem chá e almoçarem juntos na sexta-feira, segundo a Casa Branca.
A dinâmica do poder mudou.
A dinâmica de poder mudou desde a última visita de Trump a Pequim, quando a China se esforçou ao máximo para presentear Trump com favores e comprar bilhões de dólares em produtos americanos, disse Ali Wyne, consultor sênior para relações EUA-China no International Crisis Group.
Na época, “a China estava tentando persuadir os Estados Unidos de seu crescente status… Desta vez, são os Estados Unidos, por vontade própria, que estão reconhecendo esse status”, disse Wyne, observando que Trump reviveu o termo “G2”, referindo-se a um par de superpotências, durante seu último encontro com Xi à margem da cúpula da APEC na Coreia do Sul, em outubro. Trump entra nas negociações em uma posição desfavorável. Os tribunais americanos limitaram sua capacidade de impor tarifas arbitrariamente sobre as exportações da China e de outros países. A guerra no Irã também alimentou a inflação no país e aumentou o risco de que o Partido Republicano de Trump perca o controle de uma ou ambas as casas legislativas nas eleições de meio de mandato de novembro.
Embora a economia chinesa tenha apresentado dificuldades, Xi não enfrenta pressões econômicas ou políticas comparáveis. Ainda assim, ambos os lados estão empenhados em manter a trégua comercial alcançada em outubro passado, na qual Trump suspendeu as tarifas de três dígitos sobre produtos chineses e Xi se absteve de restringir o fornecimento global de terras raras, essenciais para a fabricação de produtos que vão desde veículos elétricos a armamentos. Espera-se também que eles discutam fóruns destinados a apoiar o comércio e o investimento mútuos e que dialoguem sobre questões relacionadas à inteligência artificial.
Washington busca vender aviões da Boeing, produtos agrícolas e energia para a China a fim de reduzir um déficit comercial que há muito irrita Trump, enquanto Pequim quer que os Estados Unidos flexibilizem as restrições às exportações de equipamentos avançados para fabricação de chips e semicondutores, disseram autoridades envolvidas no projeto.
IRÃ E TAIWAN NA OCASIÃO
Além das questões comerciais, espera-se que Trump incentive a China a persuadir o Irã a chegar a um acordo com Washington para pôr fim ao conflito. Mas analistas duvidam que Xi esteja disposto a pressionar fortemente Teerã ou a encerrar o apoio militar, dado o valor do Irã para Pequim como um contrapeso estratégico aos Estados Unidos.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse à Fox News a bordo do Air Force One que era do interesse da China ajudar a resolver a crise, já que muitos de seus navios estão presos no Golfo e uma desaceleração da economia global prejudicaria os exportadores chineses.
Para Xi Jinping, a venda de armas americanas para Taiwan, a ilha democraticamente governada reivindicada pela China, será uma prioridade máxima. A China reiterou sua firme oposição à venda na quarta-feira, e o status de um pacote de armas de US$ 14 bilhões, que aguarda a aprovação de Trump, permanece incerto. Os Estados Unidos são legalmente obrigados a fornecer a Taiwan os meios para se defender, apesar da ausência de relações diplomáticas formais.
“Trump não tem muitas cartas na manga. Mas acho que ele não enxerga a situação dessa forma”, disse Ronan Fu, pesquisador associado da Academia Sinica, o principal think tank governamental de Taiwan.
Xi tem uma visita recíproca planejada para o final deste ano, que seria sua primeira visita aos Estados Unidos desde que Trump assumir o cargo em 2025.

