Trump informou o primeiro-ministro japonês por telefone "em detalhes" sobre a cúpula EUA-China.
TÓQUIO — A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, disse na sexta-feira que o presidente dos EUA, Donald Trump, a informou por telefone em termos "muito detalhados" sobre seu encontro em Pequim com o presidente chinês, Xi Jinping.
Após conversar com Trump, que estava a bordo do Air Force One depois de uma viagem de três dias à China iniciada na quarta-feira, Takaichi disse a repórteres que estava "profundamente grata" pela forma como ele mencionou o Japão, um aliado próximo dos EUA, durante seu encontro com Xi, embora não tenha dado mais detalhes.
Takaichi e Trump também trocaram opiniões sobre "vários desafios relativos à China", em áreas como segurança e economia, e concordaram em continuar se comunicando de perto para lidar com a situação na região do Indo-Pacífico, disse ela.
"Juntamente com o Presidente Trump, reafirmei a aliança inabalável entre o Japão e os Estados Unidos", disse Takaichi de seu gabinete.
Trump afirmou que ele e Xi fizeram "acordos comerciais fantásticos", sem dar mais detalhes, e que ambos tinham "opiniões muito semelhantes" sobre a necessidade de acabar com a guerra no Irã e reabrir o Estreito de Ormuz.
Takaichi e Trump se encontraram pela última vez em Washington, em março, onde "se opuseram a qualquer tentativa de mudar unilateralmente o status quo, inclusive pela força ou coerção", segundo a Casa Branca, aparentemente referindo-se à crescente influência econômica e militar da China.
As relações entre o Japão e a China deterioraram-se desde que Takaichi, conhecida pelas suas posições linha-dura em matéria de segurança, irritou a China com as suas declarações parlamentares em novembro, nas quais afirmou que uma eventualidade em Taiwan poderia constituir uma "situação de risco de vida" para o Japão e poderia desencadear uma resposta das Forças de Autodefesa em apoio aos Estados Unidos.
Taiwan, uma ilha democrática autogovernada reivindicada por Pequim, é vista como um potencial foco de tensão militar que poderia arrastar os Estados Unidos para um conflito com a China, representando sérios problemas de segurança para o Japão.
Antes da cúpula EUA-China, o Japão temia que Trump, conhecido por sua abordagem negocial, pudesse ceder em questões relativas a Taiwan.
Após seu encontro com Xi, Trump disse a jornalistas que acreditava não haver risco de conflito com a China em relação a Taiwan e que não havia assumido "nenhum compromisso" com Xi a respeito da ilha. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a política dos EUA em relação a Taiwan permanecia inalterada.
Questionada por repórteres se Taiwan havia sido mencionado em sua conversa telefônica com Trump, Takaichi não respondeu.

