Trump visita templo em Pequim intimamente ligado a Kissinger.
PEQUIM — Em 14 de maio, o líder chinês Xi Jinping acompanhou o presidente dos EUA, Donald Trump, em uma visita ao Templo do Céu, que tem laços simbólicos com Henry Kissinger, figura fundamental na normalização das relações entre as duas nações.
Trump foi apenas o segundo presidente dos EUA em exercício a visitar o altar sagrado, construído em 1420 e usado pelos imperadores chineses das dinastias Ming e Qing para orar por uma boa colheita.
Foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1998.
Segundo a agência de notícias oficial Xinhua, Xi disse a Trump que o templo incorporava a filosofia tradicional chinesa de que os antigos líderes chineses oravam por uma colheita abundante, pois o povo era a base da nação e ela permaneceria estável enquanto seus alicerces fossem firmes.
A mídia local informou que o único outro presidente dos EUA em exercício a ter visitado o Templo do Céu foi Gerald Ford, em 1975. Richard Nixon também o visitou, mas depois de renunciar à presidência em desgraça, em meio ao escândalo de Watergate.
Mas Kissinger, que atuou como conselheiro de segurança nacional e secretário de Estado durante os governos Nixon e Ford, visitava frequentemente o Templo do Céu.
O site da instituição afirma que, até sua morte em 2023, aos 100 anos de idade, Kissinger fez 15 visitas.
A primeira vez foi em outubro de 1971, o mesmo ano em que ele fez uma viagem secreta à China para se preparar para a visita de Nixon no ano seguinte.
Isso levou à normalização das relações, e o templo é visto como um símbolo desse desenvolvimento histórico.
Em novembro e dezembro de 2016, quando Kissinger tinha 93 anos, ele realizou reuniões separadas com Trump, que acabara de vencer a eleição para seu primeiro mandato como presidente dos EUA, e com Xi.
Segundo a Televisão Central da China, Kissinger disse a Xi que o novo governo Trump desejava desenvolver ainda mais uma relação estável entre os Estados Unidos e a China.
Kissinger passou a ser visto de forma mais negativa na China depois que os Estados Unidos adotaram uma postura mais competitiva em relação a Pequim. Mas ele continuou, até sua morte, a afirmar que as duas nações deveriam evitar confrontos e tratar-se como iguais.
Diversos veículos de comunicação chineses relataram vários episódios envolvendo Kissinger em sua cobertura da visita de Trump ao Templo do Céu.
O jornal digital chinês The Paper destacou que, embora a mídia estrangeira tenda a se concentrar nas diferenças entre a China e os Estados Unidos, os objetivos de Pequim são diferentes.
Ele indica que as autoridades chinesas procuraram usar a harmonia e a boa colheita simbolizadas pelo Templo do Céu para expandir as relações de cooperação entre as duas nações e transmitir ao mundo a expectativa de que isso levaria à estabilidade.
A visita ao Templo do Céu foi encurtada porque a sessão da manhã de 14 de maio entre Trump e Xi ultrapassou o horário previsto.
Segundo a agência Xinhua, Trump ficou impressionado com os detalhes intrincados da arquitetura chinesa antiga e disse que os Estados Unidos e a China eram grandes nações e que os povos de ambas as nações eram grandiosos e possuíam muita sabedoria.

