Um agente ligado à China recorreu à ChatGPT para tentar desacreditar a empresa japonesa Takaichi: OpenAI.
NOVA IORQUE – Um indivíduo ligado à polícia chinesa recorreu à inteligência artificial ChatGPT para formular operações de influência com o objetivo de desacreditar a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi, segundo um relatório da OpenAI, empresa responsável pelo projeto.
Segundo a reportagem publicada na quarta-feira, o usuário pediu ao ChatGPT que elaborasse um plano que incluía espalhar comentários negativos online sobre Takaichi, se passar por residentes estrangeiros para enviar reclamações por e-mail a legisladores, usar contas falsas em redes sociais para pressioná-la sobre questões de custo de vida e acusá-la de tendências de extrema-direita.
A OpenAI afirmou que o usuário fez isso em meados de outubro, depois que Takaichi, então chefe de um grupo de legisladores do Partido Liberal Democrático (PLD) que apoiava a etnia mongol, enviou uma mensagem criticando a "repressão" chinesa na Região Autônoma da Mongólia Interior. Na época, ela era presidente do PLD, partido governista, mas ainda não havia sido eleita primeira-ministra.
A ChatGPT recusou-se a atender a essa solicitação, segundo a empresa, mesmo tendo sido solicitada no final de outubro a publicar um relatório sobre a implementação das operações, que, segundo ela, faziam "claramente" parte da mesma campanha. A conta vinculada ao indivíduo foi banida, acrescentou.
A OpenAI conseguiu confirmar o que parecem ser algumas das atividades descritas no relatório, como a adoção de uma hashtag de "simbionte de direita" que afirma ter lançado.
No entanto, a OpenAI afirmou que nenhuma das postagens em redes sociais que se assemelhavam às descrições das operações contidas no relatório apresentou engajamento significativo e concluiu que isso "não parece ter tido muito impacto".
Em uma coletiva de imprensa regular realizada na sexta-feira em Tóquio, o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, afirmou que o governo estava "ciente" do relatório e "reconhece que operações com influência estrangeira estão ocorrendo em diversos países".
Ele acrescentou que o governo continuará a propor contramedidas contra tais operações.
Questionada sobre o assunto na sexta-feira, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse em uma coletiva de imprensa regular que a acusação da OpenAI era "infundada", acrescentando que Pequim "rejeita firmemente tal difamação".
As relações entre o Japão e a China deterioraram-se sob o governo de Takaichi, um conhecido defensor de uma linha dura em matéria de segurança nacional, depois de ele ter feito declarações no Parlamento em novembro, sugerindo que um ataque a Taiwan, uma ilha autogovernada reivindicada pela China, poderia desencadear uma resposta das forças de defesa japonesas.

