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Um analista alerta para o uso de bots e spam nas redes sociais no período que antecede as eleições.

Com o início oficial da campanha para as eleições de 8 de fevereiro para a Câmara dos Deputados em 27 de janeiro, um analista de inteligência alerta para um ressurgimento de publicações nas redes sociais alimentadas por desinformação, com o objetivo de prejudicar a reputação dos candidatos.

Essa tática lembra as eleições para o Senado do verão passado e se enquadra no que os analistas chamam de "guerra cognitiva": o uso de desinformação e narrativas direcionadas para influenciar a opinião pública e o comportamento eleitoral.

Segundo Nasa Tatsuguchi, analista-chefe da Japan Nexus Intelligence Inc. (JNI), empresa que monitora e avalia mídias sociais, algumas contas em língua estrangeira aumentaram recentemente e abruptamente suas postagens em japonês.

Uma conta chamada X, anteriormente Twitter, com dezenas de milhares de seguidores, conhecida por suas matérias pró-China em inglês e chinês, mudou de tática.

A JNI indicou que a conta intensificou seu conteúdo em japonês desde o final de novembro, com Tatsuguchi destacou que muitas das novas mensagens são Críticas à primeira-ministra Sanae Takaichi.

Por exemplo, um artigo descreve a dissolução da câmara baixa como "um ato insensato que claramente prejudica os interesses do Japão".

Mas a localização da conta está listada como "China" na plataforma, disse ela.

Tatsuguchi observou que a narrativa foi amplificada, embora de forma limitada.

"Não são apenas contas pró-China", disse ela. "Contas japonesas que criticam o primeiro-ministro Takaichi também estão divulgando isso, e isso gerou grande engajamento."

QUEM PUBLICA ISTO?

A JNI também está monitorando um aumento no número de bots, contas automatizadas programadas para enviar spam repetidamente.

Em dezembro, a empresa identificou diversas contas que começaram a apresentar "atividade semelhante à de bots", compartilhando mensagens políticas. Algumas parecem ter tido seus perfis modificados para promover narrativas específicas, afirmou Tatsuguchi.

Embora essas contas ainda não estejam agindo de forma abertamente coordenada, Tatsuguchi permanece cauteloso.

"É possível que eles transmitam uma mensagem específica para coincidir com o período eleitoral, então não devemos desviar o olhar de seus movimentos", disse ela.

Essas preocupações refletem as levantadas durante as eleições para o Senado no verão passado.

Uma investigação realizada pela JNI na época revelou que aproximadamente 9.400 contas estavam envolvidas em atividades do tipo bot, afirmou ela.

Uma análise mais aprofundada de 170 dessas contas revelou que 77 delas apresentaram um aumento acentuado no número de compartilhamentos durante a campanha. O conteúdo compartilhado incluía críticas ao então primeiro-ministro Shigeru Ishiba e histórias sobre "estrangeiros".

Naquela época, as especulações sobre interferência estrangeira eram desenfreadas.

O governo japonês reconheceu essa possibilidade, com Masaaki Taira, então Ministro da Transformação Digital, afirmando que "houve relatos nesse sentido".

Em resposta, em setembro passado, o governo anunciou uma política destinada a centralizar a coleta de informações e fortalecer sua resposta a essas ameaças.

Embora Tatsuguchi tenha declarado: "Não podemos concluir definitivamente se houve ou não intervenção estrangeira", ela pediu ao público que permanecesse vigilante.

"É importante que cada indivíduo avalie com calma qualquer informação divulgada nas redes sociais e julgue sua autenticidade, tendo em mente a possibilidade (de interferência)", aconselhou ela, acrescentando que os usuários devem verificar se as fontes publicam exclusivamente sobre determinados tópicos.

Ecoando essas preocupações, o Ministério do Interior solicitou oficialmente, em 23 de janeiro, que os operadores de plataformas de mídia social combatessem a desinformação relacionada às eleições.

"Há uma grande variedade de informações na internet", disse o Ministro do Interior, Yoshimasa Hayashi, em uma coletiva de imprensa. "Pedimos a todos que verifiquem cuidadosamente sua autenticidade."