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Um alerta de terremoto causa confusão entre residentes estrangeiros no norte do Japão.

SENDAI — O primeiro alerta de desastre emitido pelo governo central sob um novo sistema de alerta causou confusão entre residentes estrangeiros e até mesmo entre cidadãos japoneses.

Foi publicado após o terremoto de 8 de dezembro na costa da província de Aomori, com o título: "Aviso de terremoto subsequente nas costas de Hokkaido e Sanriku".

O alerta recomenda maior vigilância contra possíveis terremotos subsequentes durante uma semana, até a meia-noite de 16 de dezembro. Também insta os moradores da área afetada a confirmarem seus preparativos e a elaborarem um plano de evacuação.

Como este foi o primeiro aviso emitido sob o sistema de gestão de desastres implementado em dezembro de 2022, muitos japoneses ficaram surpresos com a extensão do conteúdo.

Para os residentes estrangeiros, muitos dos quais não falam japonês fluentemente, esse aviso aumentou o seu estresse.

A Associação Internacional de Turismo, Convenções e Exposições de Sendai (SenTIA), que apoia estrangeiros residentes em Sendai, simplificou o alerta em uma mensagem publicada nas redes sociais em 9 de dezembro: "Atokara kuru jishin ni, ki o tsukete kudasai" (Cuidado com as respostas).

A mensagem incluía traduções em cinco idiomas: inglês, chinês, coreano, vietnamita e nepalês.

Aproximadamente 18.000 estrangeiros vivem na capital da província de Miyagi.

A avaliação do governo baseia-se em eventos passados ​​na região ao largo da costa de Sanriku e no lado do Pacífico de Hokkaido. Nesses casos, um terremoto ainda maior ocorreu após um tremor de magnitude 7.

A equipe da SenTIA acreditava que, se as informações governamentais fossem transmitidas apenas em japonês, os estrangeiros teriam dificuldade em compreendê-las.

Os funcionários optaram por usar um modelo criado há vários anos que pedia "cautela diante dos tremores secundários". Eles acharam que era a mensagem mais apropriada e mais simples.

“Não estávamos preparados para o alerta de terremoto que se seguiu”, disse um representante da SenTIA. “Não conseguimos transmitir uma mensagem sobre a reconfirmação dos preparativos e a implementação de um sistema de evacuação.”

No futuro, a organização consultará autoridades governamentais, incluindo o gabinete de gestão de crises da cidade, para decidir quais informações devem ser divulgadas em caso de desastre e elaborará um novo modelo.

O aviso era confuso, mesmo para estrangeiros que residem no Japão há muito tempo.

"Eu vi o aviso, mas não entendi os detalhes dos preparativos", disse Zhen Shengxia, originária da China e residente no Japão há quase 30 anos. "Quem chega recentemente pode ter dificuldade para entender o conteúdo do aviso."

Shiti Maghfira, uma estudante indonésia e graduada da Universidade de Tohoku, usou sua experiência de sobrevivência a um grande terremoto em seu país natal para oferecer conselhos após o terremoto de 8 de dezembro.

Ela publicou informações nas redes sociais em inglês e indonésio para seus amigos que têm pouca experiência com terremotos.

"As informações e os alertas de tsunami estavam todos em japonês. As pessoas que não estão acostumadas com o japonês não conseguem entender", disse ela.

Ela afirmou que gostaria que o texto completo dos alertas de tsunami enviados para telefones celulares estivesse disponível em inglês.

Duwadi Bhawani, do Nepal, destacou a dificuldade de incentivar a cautela entre os residentes estrangeiros.

Após vivenciar o grande terremoto e tsunami no leste do Japão em 2011, ela se registrou como "líder de prevenção de desastres para residentes estrangeiros em Sendai", uma iniciativa que visa conscientizar estrangeiros sobre a importância da preparação para desastres.

Após o terremoto de 8 de dezembro, ela compartilhou a mensagem da SenTIA e pediu aos residentes estrangeiros que tomassem precauções.

No entanto, ela afirmou que a maioria não entendia para o que realmente deveriam estar se preparando.

Embora estivesse ansiosa durante o desastre de 2011, ela se lembra de ter se sentido segura durante a evacuação, cercada por japoneses.

"Em caso de desastre, todos devem sentir a mesma ansiedade", disse ela. "Quero que japoneses e estrangeiros se ajudem mutuamente."