Um comitê internacional de tratados rejeita restrições comerciais a todas as enguias, apesar da oposição do Japão.
SAMARCANDÃ, Uzbequistão – Um painel de um tratado internacional que regulamenta o comércio de espécies ameaçadas de extinção rejeitou na quinta-feira uma proposta para impor restrições à exportação de todas as enguias, em meio a apelos do Japão, um dos maiores consumidores de peixe do mundo, para que se oponha à medida.
A proposta foi apresentada pela União Europeia e outros na Conferência das Partes da Convenção de Washington, que está sendo realizada no Uzbequistão. A UE argumentou que as enguias europeias, que já estão sujeitas a restrições pelo acordo, estão sendo distribuídas ilegalmente porque não podem ser distinguidas das enguias japonesas.
O bloco também afirmou que o número de enguias japonesas diminuiu drasticamente, defendendo que todas as espécies de enguias devem ser incluídas na lista de espécies ameaçadas de extinção no Apêndice II da Convenção de Washington, também conhecida como Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção.
A inclusão no Apêndice II significa que a espécie pode entrar em extinção se o comércio não for rigorosamente regulamentado.
O governo japonês insiste que possui recursos suficientes de enguias japonesas, que não correm o risco de desaparecer devido ao comércio internacional.
Caso a proposta tivesse sido aprovada, seriam necessárias licenças de exportação, emitidas pelos países exportadores, para o comércio de enguias, uma medida que teria elevado os preços no Japão, país que depende de importações da China e de outros países para 70% do seu abastecimento interno.
Dado que algumas enguias jovens – chamadas de enguias de vidro, necessárias para a aquicultura – são importadas, as regulamentações comerciais também podem ter afetado a criação de enguias no Japão.

