Um atleta olímpico surdo de corrida com barreiras não se deixa abater por uma largada falsa, demonstrando gratidão à sua esposa e filho cegos.
TÓQUIO – Uma largada falsa encerrou abruptamente a quinta participação de Yuji Takada nas Olimpíadas para Surdos, frustrando suas esperanças de tornar sua apresentação nos 110 metros com barreiras uma lembrança inesquecível para sua esposa, uma atleta paralímpica cega, e para o filho do casal, que muitas vezes lhe serviu de olhos.
Takada, de 41 anos, havia competido principalmente em provas de 400 metros no passado, mas decidiu participar de uma distância mais curta nas Olimpíadas para Surdos de Tóquio, sabendo que uma boa largada é crucial.
"Eu estava muito envolvido pelo momento", disse ele após ser eliminado na fase de qualificação em 19 de novembro, na pista de atletismo do Parque Olímpico de Komazawa.
Takada se profissionalizou em 2010, o que foi um passo incomum na época para um atleta com deficiência auditiva.
“Minha esposa e eu perseguimos nossos sonhos”, disse ele, referindo-se a Chiaki Takada, que competiu nos Jogos Paralímpicos de Tóquio em 2021. “E quero agradecer ao meu filho por ter aguentado tanto.”
Chiaki, de 41 anos, e seu filho Satoki, de 16, estavam torcendo por Takada nas arquibancadas do evento em Tóquio. Quando Satoki contou ao marido que ele havia sido desclassificado, os olhos de Chiaki se encheram de lágrimas.
"Como atleta, entendo que (a largada falsa) provavelmente se deveu à sua determinação em não perder", disse Chiaki.
Satoki nasceu em 2008, o mesmo ano em que Takada e Chiaki se casaram. Ele serviu de ponte para seus pais, ajudando-os a se comunicar por meio da linguagem de sinais e de outras formas.
"Os jogos em casa não me deram os resultados que eu esperava", disse Takada. "Eu queria que meu filho sempre se lembrasse de me ver correr."
Apesar do fim inesperado do seu desafio, o espírito de Takada permanece intacto. "Enquanto meu corpo aguentar, quero continuar me desafiando ano após ano", disse ele.
O Japão está sediando as Olimpíadas para Surdos pela primeira vez, que acontecem até quarta-feira.
Por sua vez, Satoki reconheceu o árduo trabalho de seu pai. "Eu só queria abraçá-lo sem dizer nada agora."

