Um filme sobre o estupro de uma jornalista japonesa está sendo exibido em todo o país, apesar das divergências.

Um filme sobre o estupro de uma jornalista japonesa está sendo exibido em todo o país, apesar das divergências.

TÓQUIO – “Black Box Diaries”, um documentário da jornalista japonesa Shiori Ito que detalha sua experiência de agressão sexual, foi lançado nesta sexta-feira no Japão, quase dois anos após sua estreia mundial em um festival de cinema.

O filme indicado ao Oscar, exibido em um complexo de cinemas de Tóquio, é uma versão revisada com alterações em algumas partes após uma disputa sobre o uso não autorizado de certos materiais, pela qual Ito se desculpou.

O filme, indicado ao Oscar de Melhor Documentário deste ano, detalha os eventos que levaram Ito a acusar o ex-jornalista de televisão Noriyuki Yamaguchi de estupro após um jantar que tiveram juntos em Tóquio, em 2015. Ele nega a acusação.

Após os promotores se recusarem a indiciar Yamaguchi por falta de provas, Ito entrou com um processo por danos e escreveu um livro sobre suas experiências, tornando-se um símbolo do movimento japonês #MeToo.

Ito venceu o processo de indenização contra Yamaguchi, e a Suprema Corte finalizou a decisão concluindo que houve relação sexual não consensual.

Após estrear no Festival de Cinema de Sundance, nos Estados Unidos, em janeiro de 2024, e ser amplamente exibido no exterior, o lançamento do filme nos Estados Unidos foi adiado porque advogados, incluindo os que representam Ito em um processo civil neste caso, alegaram que ela havia violado sua promessa de proteger suas fontes ao usar certas imagens e áudios.

Em outubro, Ito pediu desculpas, afirmando que havia filmado o relato de um taxista sobre o que ele tinha visto antes do incidente sem o consentimento dele. Ela disse que algumas partes da filmagem que fez foram editadas na versão japonesa.

Em sua declaração, Ito também expressou sua gratidão ao taxista por aceitar seu pedido de desculpas e permitir o uso da nova versão da cena.

Entretanto, a advogada Yoko Nishihiro, que anteriormente representou Ito, afirmou em comunicado na quinta-feira que as questões legais ainda não foram resolvidas.

Os advogados argumentaram que o filme também utilizou, sem autorização, imagens de câmeras de segurança do hotel onde ela teria sido arrastada por Yamaguchi, bem como uma gravação de conversas com um detetive.

"Não considero que o filme tenha qualquer valor de interesse público", disse Nishihiro. "Devo dizer que o filme aborda questões sérias de direitos humanos."