Um jogador com apenas uma mão realiza seu sonho no torneio de beisebol de Koshien.
Quando criança, Yuki Hiraki, que nasceu sem a mão esquerda, foi informado por seu pai da dura realidade de que o membro ausente jamais cresceria.
Mas, ao longo de sua infância, Hiraki guardou a sério outras palavras de seu pai: "Você pode fazer qualquer coisa".
Agora, no segundo ano do ensino médio, Hiraki conquistou uma vaga em sua escola.'Sua equipe de beisebol participou do prestigioso Torneio Nacional de Primavera Senbatsu, no Japão.
O torneio de 13 dias, realizado no Estádio Hanshin Koshien em Nishinomiya, na província de Hyogo, reúne 32 das melhores equipes de escolas secundárias japonesas.
Hiraki realizou o sonho de sua vida quando ele e seus colegas da Escola Secundária Nagasaki Nishi entraram em campo para a cerimônia de abertura em 19 de março.
Durante o treino, alguns dias antes, Hiraki, vestindo a camisa número 20, correu pelo gramado sagrado, sem conseguir conter sua alegria.
"Foi divertido", disse Hiraki após o treino. "Poder jogar em um lugar que eu só tinha visto na televisão foi especial, como se eu realmente tivesse chegado ao Koshien."
Hiraki apanha a bola com a luva direita, coloca-a contra o braço esquerdo e o peito e, num instante, transfere a bola para a mão direita para a lançar.
A fluidez dos movimentos foi aperfeiçoada ao longo de anos e anos de prática.
O ENCORAJAMENTO DO PAI
Quando ainda era pré-escolar, Hiraki perguntou aos pais: "Essa mão vai crescer quando eu começar a ir para a escola primária?"
Seu pai, Koichi, agora com 59 anos, disse-lhe gentilmente: "Sua mão não vai crescer."
Hiraki nunca mais fez perguntas sobre isso.
Koichi criou seu filho com um regime constante de incentivo.
"Ao dar o seu melhor, você dará coragem a muitas pessoas", disse ele ao menino.
Corredor veloz desde jovem, Hiraki foi incentivado a jogar futebol porque o esporte não utiliza as mãos.
Mas ele insistiu: "Eu adoro beisebol."
Influenciado por seu irmão mais velho, Hiraki entrou para um time de softball no ensino fundamental e se destacou. Mais tarde, tornou-se jogador de campo externo e arremessador em uma liga de beisebol chamada "Pony League" e chegou a conquistar uma vaga na seleção japonesa sub-16.
"Mudar a forma como segurava a bola tornou-se algo natural quando comecei a jogar com ela, e pratiquei repetidamente até aperfeiçoar a técnica", disse Hiraki.
GANHAR PODER
Mas, ao entrar no ensino médio, os desafios físicos tornaram-se mais evidentes.
Conforme foi envelhecendo, a diferença no comprimento dos braços tornou difícil para ele manter o pulso esquerdo no taco e ele perdeu potência na hora de rebater para o home plate.
Apesar de usar um suporte personalizado, ele era frequentemente superado em manobras pelo arremessador e acabou ficando de fora da equipe durante os torneios classificatórios do outono passado.
Hiraki se recusou a desistir.
Ele embarcou em um programa de treinamento de força rigoroso e se obrigou a comer mais para ganhar força. Ele bebia uma tigela e meia grande de arroz branco no café da manhã e no jantar.
"Ele tinha pouco apetite e demorava uma hora para comer. Parecia doloroso para ele", lembra o pai.
Seus pais o apoiaram. Em vez de servirem-lhe comida frita típica do Hikaki, que ele não gostava, prepararam pratos como peixe cozido, que eram mais fáceis de comer.
Ele ganhou 7 quilos.
Ciente de que sua velocidade era seu maior trunfo, ele se dedicou a dominar a arte de correr as bases.
ÚLTIMO NOME CHAMADO
Nagasaki Nishi'O avanço ocorreu em 30 de janeiro.
A equipe não venceu o torneio regional, mas a escola recebeu um "lugar especial" no Senbatsu por seu compromisso com o "bunbu ryodo", a busca dupla pela excelência acadêmica e esportiva.
Os jogadores explodiram de alegria. Era a primeira participação da escola no torneio Senbatsu em 75 anos.
No final de fevereiro, a equipe se reuniu para ouvir a lista dos 20 membros do Senbatsu. Os nomes foram lidos um a um. O de Hiraki foi o último a ser chamado.
"Pensei que todo o meu esforço finalmente tinha valido a pena e comecei a chorar", recorda.
O que amenizou a escolha foi o fato de ele ter conquistado a vaga por mérito próprio, e não por mérito próprio.
"Ele mesmo me disse: 'Você não precisa me dar nenhum tratamento especial'", disse Shohei Soda, o gerente da equipe de 51 anos. "Sua corrida nas bases e seus bunt são excelentes. É um número de camisa que ele conquistou por suas habilidades."
O capitão da equipe, Naotaro Kuwahara, um veterano que estudou na mesma escola que Hiraki, concorda.
"Eu vi o quanto ele trabalha duro, então fiquei feliz quando Hiraki se juntou à equipe", disse Kuwahara.
UMA FONTE DE FORÇA
A determinação de Hiraki foi impulsionada por um jogador que havia trilhado um caminho semelhante.
Durante o torneio Koshien do verão passado, Hiraki assistiu Haruto Yokoyama, um acrobata nato sem dedos na mão esquerda, ajudar sua equipe, a Escola Comercial e Empresarial de Gifu, a uma campanha magnífica até as semifinais.
“Pensei que talvez eu também pudesse fazer isso, e isso me deu vontade de trabalhar duro”, disse Hiraki. “Assim como ele (Yokoyama) me deu energia, espero poder dar pelo menos um pouco de energia a outra pessoa.”
Enquanto aguarda a oportunidade de jogar contra a Escola Secundária Shiga Gakuen em 20 de março, seu objetivo é claro.
"Quero mostrar à minha família e a todos que me apoiam um espetáculo em que eu me entregue de corpo e alma, com um sentimento de gratidão", disse ele. "Quero roubar a cena."

