Um jornalista afirma que as imagens das câmeras de segurança foram "essenciais" no filme sobre um caso de estupro.

Um jornalista afirma que as imagens das câmeras de segurança foram "essenciais" no filme sobre um caso de estupro.

TÓQUIO – A jornalista japonesa Shiori Ito afirmou nesta segunda-feira que as imagens de câmeras de segurança usadas em seu documentário indicado ao Oscar, “Black Box Diaries”, foram “essenciais” para contar sua história de agressão sexual, enquanto enfrenta uma disputa em andamento sobre o uso não autorizado de parte do material.

"Eu queria que as pessoas experimentassem não apenas o estupro, mas também as consequências com as quais se tem que conviver", disse ela em uma coletiva de imprensa no Clube de Correspondentes Estrangeiros do Japão, em Tóquio, explicando o motivo da produção do filme.

O filme original, indicado a Melhor Documentário no Oscar deste ano, foi revisado para seu lançamento no Japão na sexta-feira, em meio ao conflito em curso. Ele detalha os eventos que levaram Ito a acusar o ex-jornalista de televisão Noriyuki Yamaguchi de estupro após um jantar entre os dois em Tóquio, em 2015, acusação que ele nega.

A advogada Yoko Nishihiro, que anteriormente representou Ito, divulgou um comunicado na quinta-feira afirmando que as questões legais não foram resolvidas, incluindo a referente às imagens da câmera de segurança de um hotel onde Yamaguchi supostamente treinou Ito, que foram utilizadas sem a aprovação do estabelecimento.

Ito afirmou que as imagens foram editadas usando computação gráfica na nova versão.

Em outubro, Ito pediu desculpas, alegando que havia filmado o relato de um taxista sobre o que ele tinha visto antes do incidente sem obter seu consentimento.

Mas ela não respondeu diretamente à pergunta durante a coletiva de imprensa sobre se havia pedido desculpas às outras pessoas que apareceram na versão original sem o seu consentimento.

Após os promotores se recusarem a indiciar Yamaguchi por falta de provas, Ito entrou com um processo por danos e escreveu um livro sobre suas experiências, tornando-se um símbolo do movimento japonês #MeToo.

Ito venceu o processo de indenização contra Yamaguchi, e a Suprema Corte finalizou a decisão concluindo que houve relação sexual não consensual.