Um navio japonês de transporte de GNL atravessa o Estreito de Ormuz, o primeiro desde o início da guerra no Irã.

Um navio japonês de transporte de GNL atravessa o Estreito de Ormuz, o primeiro desde o início da guerra no Irã.

TÓQUIO — Um navio-tanque japonês carregado com gás natural liquefeito atravessou o Estreito de Ormuz, naquele que se acredita ser o primeiro caso do tipo desde seu fechamento efetivo em meio à Guerra Irã-Iraque, anunciou uma empresa de navegação nesta sexta-feira, enquanto o Japão, país com poucos recursos naturais, considera medidas para reduzir a demanda por petróleo em preparação para a escassez de energia.

A empresa de navegação Mitsui OSK Lines afirmou que o petroleiro SOHAR LNG atravessou o estreito e confirmou que toda a tripulação está sã e salva.

O fechamento efetivo da hidrovia pelo Irã para a maioria dos navios interrompeu o fornecimento de petróleo bruto e elevou os preços, representando um duro golpe para países como o Japão, que dependem fortemente das importações de energia do Oriente Médio.

Segundo a Associação Japonesa de Armadores, o número de navios japoneses ainda no Golfo Pérsico era de 44 na sexta-feira, em comparação com 45 anteriormente.

Um navio porta-contentores francês também deixou o estreito, que atravessa as águas territoriais iranianas e omanitas, de acordo com relatos da mídia, após dezenas de países pressionarem o Irã, exigindo trânsito seguro pelo estreito e ameaçando impor sanções.

Essa situação surge em meio à crescente incerteza sobre a duração da guerra no Irã, que já dura cinco semanas, e sobre quando a passagem segura de petroleiros pelo estreito será retomada.

A perspectiva de interrupções prolongadas no fornecimento levou o governo japonês a considerar medidas políticas destinadas a conter a demanda por petróleo, mitigando, ao mesmo tempo, o impacto econômico negativo neste país com escassez de recursos.

A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou que o governo não descartaria nenhuma opção, indicando que a população poderia ser solicitada a reduzir o consumo de gasolina.

Ken Kobayashi, presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Japão, afirmou que o público poderá ser solicitado, mais cedo ou mais tarde, a reduzir seu consumo de energia.

"O governo inevitavelmente terá que considerar por quanto tempo as pessoas devem manter um sentimento de crise."

Na sexta-feira, parlamentares do Partido Liberal Democrático de Takaichi instaram o governo a divulgar informações relevantes de maneira adequada para evitar compras em pânico ou o açambarcamento de petróleo.

O ministro da Indústria, Ryosei Akazawa, cujo ministério supervisiona a política energética, afirmou em uma coletiva de imprensa que o Japão "está se esforçando para obter a quantidade necessária de petróleo e não tem conhecimento de quaisquer problemas de oferta e demanda", enquanto o governo liberava parte de seus estoques de petróleo.

O governo enfrenta desafios complexos. Por um lado, restabeleceu os subsídios para reduzir os preços da gasolina, uma medida que estimula a demanda, mas agora pode ter que pedir aos cidadãos que reduzam o consumo de energia, dependendo de como a situação no Oriente Médio se desenvolver.

Yuki Togano, pesquisadora do Instituto Japonês de Pesquisa, afirmou que os apelos para que a população economize energia e o fim dos subsídios à gasolina estão entre as possíveis opções para o governo.

Embora o fim dos subsídios provavelmente aumente os preços da gasolina, Togano afirmou: "Mesmo que isso possa ter um impacto negativo na economia, a demanda deve ser reduzida. Caso contrário, corremos o risco de enfrentar escassez de petróleo."

Indústrias expostas a flutuações nos preços e no fornecimento de energia começaram a soar o alarme.

Um grupo de companhias aéreas emitiu um comunicado alegando que o custo do combustível de aviação aumentou cerca de 2,5 vezes no último mês, atingindo "níveis anormais", o que significa que o setor terá que arcar com custos adicionais enormes.