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Um processo judicial está sendo movido contra os juízes envolvidos na morte de um homem falsamente acusado enquanto estava sob custódia.

A família de um ex-consultor da fabricante de máquinas Ohkawara Kakohki Co., que foi falsamente acusado e morreu sob custódia, processou o governo exigindo uma indenização de aproximadamente 170 milhões de ienes (US$ 1 milhão).

Na queixa apresentada ao Tribunal Distrital de Tóquio em 6 de abril, os queixosos argumentaram que as decisões de 37 juízes que aprovaram a prisão e detenção do homem – e rejeitaram seus pedidos de libertação sob fiança, apesar de sua grave doença – eram ilegais.

Shizuo Aishima foi preso pela Polícia Metropolitana de Tóquio em março de 2020, juntamente com o presidente da empresa e outro indivíduo, sob suspeita de exportar ilegalmente equipamentos para a China que poderiam ser desviados para fins militares.

Aishima foi diagnosticada com câncer de estômago enquanto estava detida.

Ele solicitou liberdade sob fiança oito vezes, mas o Tribunal Distrital de Tóquio rejeitou repetidamente seus pedidos, citando, entre outros motivos, o risco de adulteração de provas.

Ele faleceu em fevereiro de 2021, aos 72 anos, sem nunca ter sido libertado sob fiança.

As acusações contra o presidente e o outro réu foram posteriormente retiradas.

No julgamento, a família enlutada argumenta que as decisões dos 37 juízes que autorizaram a detenção de Aishima foram ilegais, pois ele não estava envolvido em nenhuma exportação ilegal.

De acordo com o processo, também deveria ter ficado claro que não havia risco de vazamento ou destruição de provas.

Eles alegam que, devido à sua detenção prolongada, seu tratamento médico foi atrasado, o que acabou levando à sua morte.

"É importante esclarecer, por meio deste processo judicial, os motivos específicos pelos quais cada um dos 37 juízes aprovou sua custódia", disse a família.

Em maio do ano passado, o Tribunal Superior de Tóquio decidiu que a série de investigações sobre a Ohkawara Kakohki carecia de fundamento razoável e, portanto, era ilegal.

Ela ordenou ao Governo Metropolitano de Tóquio, representando o Departamento de Polícia Metropolitana (MPD), e ao Governo Central, representando a Procuradoria Distrital de Tóquio, que pagassem aproximadamente 166 milhões de ienes em indenização.

Em agosto, o Departamento de Polícia Metropolitana (MPD), a Agência Nacional de Polícia e a Procuradoria-Geral da República divulgaram um relatório de investigação, e altos funcionários da polícia e da promotoria pediram desculpas à família de Aishima.

No entanto, o Tribunal Distrital de Tóquio não analisou as decisões dos juízes que aprovaram a prisão e a detenção ou que rejeitaram os pedidos de fiança.

Os demandantes argumentam que a reincidência não pode ser evitada sem essa verificação.