Uma professora japonesa com paralisia cerebral finalmente se torna diretora de escola.
AKITA, Japão – Uma longa carreira como professor de matemática levou Manabu Sannohe, de 49 anos, nascido com paralisia cerebral que afeta os membros, a entrar em contato com mais de mil alunos na província de Akita, no Japão.
No entanto, foi somente em 2024, após 25 anos de estudo, que ele alcançou o cargo de professor titular que tanto almejava.
Para Sannohe, este passo representa tanto uma realização profissional quanto uma justificativa pessoal em um sistema onde ele trabalhou por muito tempo como professor em uma disciplina sem que lhe fossem confiadas tarefas principais.
Na primavera de 2001, após ser aprovado no exame de certificação para professores em sua terceira tentativa, ele começou a lecionar matemática, construindo uma carreira que duraria décadas.
Apesar de sua experiência, as responsabilidades de um professor continuavam fora de seu alcance. Ao longo dos anos, ele solicitou repetidamente esse cargo, enquanto seus colegas ao seu redor recebiam cursos para orientá-lo.
Embora nunca lhe tenham dito diretamente que a sua deficiência era a causa, a falta de oportunidades levou-o a questionar a sua posição na profissão que tinha escolhido.
"Eu ficava me perguntando o que precisava fazer para melhorar", disse ele, relembrando períodos de frustração.
A determinação de Sannohe em se tornar professor surgiu muito cedo em sua vida. Quando ele era aluno da primeira série, durante um dia de esportes em uma escola primária, ele hesitou antes de uma corrida, com medo de ser ridicularizado se terminasse em último lugar.
O incentivo de seu professor da turma – "Mesmo que você chegue em último, corra" – o ajudou a entrar na pista. Apesar de ter chegado em último, ele se lembra dos aplausos de seus colegas e da sensação de realização que se seguiu.
"A escola me deu a confiança para me aceitar como sou", disse ele.
Essa experiência se tornou a base de sua filosofia educacional, que ele aplicou nas salas de aula da província de Akita.
Durante uma aula recente de matemática para alunos do oitavo ano na Escola de Educação Obrigatória de Ikawa, Sannohe pediu que os alunos trabalhassem em grupos e discutissem soluções para um problema.
Cerca de vinte alunos se dividiram em grupos, debatendo abordagens enquanto Sannohe circulava entre as carteiras, oferecendo conselhos àqueles que estavam com dificuldades.
Após a discussão, os representantes dos grupos apresentaram seus argumentos para a turma. O objetivo, segundo ele, é desenvolver o pensamento lógico e a capacidade de explicar ideias com clareza.
Um ponto de virada ocorreu em abril de 2024, quando Sannohe ingressou na Escola de Educação Obrigatória de Ikawa e foi nomeado professor titular de uma turma do sétimo ano, como parte de um sistema que incluía vários professores em regime de coensino.
Este cargo marcou a primeira vez em sua carreira que ele assumiu oficialmente tal responsabilidade.
"Estou feliz por não ter desistido e ter continuado tentando me comunicar", disse ele, descrevendo esse momento como a abertura de uma nova porta em sua vida profissional.
Nos dois anos seguintes, Sannohe participou de reuniões de pais e professores para discutir os futuros caminhos dos alunos e ministrou aulas de educação moral que, ao contrário da matemática, não têm uma única resposta.
Ele também encontrou significado nas interações cotidianas em sala de aula, incluindo perguntas simples dos alunos, como quando a disposição das carteiras mudaria.
Em novembro, ele acompanhou os alunos em uma viagem escolar a Taiwan, viajando em sua cadeira de rodas elétrica e compartilhando experiências que, segundo ele, fortaleceram os laços dentro da turma.
No mês passado, Sannohe iniciou um novo capítulo como professor principal de uma turma para alunos com necessidades especiais. Ele descreve seu papel como sendo centrado na preparação dos alunos para assumirem futuras responsabilidades na sociedade.
Quando seus alunos chegarem à idade adulta, diz ele, descobrirão um mundo diverso. Ele espera que suas memórias incluam um professor com deficiência que os orientou durante o ensino fundamental.
Sannohe afirmou que ter um professor com deficiência durante seus anos no ensino fundamental foi uma experiência formativa e acredita que será valiosa para os alunos à medida que crescerem e assumirem responsabilidades adultas.

