Um professor japonês usa inteligência artificial para ganhar o ouro no curling.

Um professor japonês usa inteligência artificial para ganhar o ouro no curling.

CORTINA D'AMPEZZO, Itália – Um professor de uma universidade de Hokkaido colocou a inteligência artificial a serviço da equipe feminina japonesa de curling, na esperança de que as informações derivadas dos dados de jogo possam ajudar as jogadoras a obter vantagem em sua busca pela glória olímpica.

Masahito Yamamoto, professor da Escola de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia da Informação da Universidade de Hokkaido, incumbiu a inteligência artificial de analisar aproximadamente 100 partidas disputadas pela Fortius, equipe que conquistou o direito de representar o Japão nas eliminatórias nacionais em setembro de 2025, com o objetivo de criar um banco de dados tático.

Jogadores e treinadores do Fortius podem pesquisar no banco de dados informações situacionais, incluindo qual equipe tem o melhor desempenho ao lançar suas pedras primeiro – ou, na linguagem do curling, quem está com o “martelo”.

"O simples fato de poder ver exemplos bem-sucedidos facilita o treinamento de visualização", disse Yamamoto.

A análise dos dados já apresentou resultados.

No outono passado, a equipe Fortius passou por uma crise durante a qual cedeu vários pontos apesar de ter a vantagem da última pedra. A análise por IA identificou problemas no posicionamento das pedras e a incapacidade da equipe de mover as pedras dos adversários da maneira mais vantajosa.

Com esse conhecimento, a equipe sofreu apenas dois roubos de base nos oito jogos que disputou durante o último torneio de qualificação olímpica, em dezembro.

Yuna Kotani, a segunda colocada da equipe, disse que os dados foram extremamente valiosos.

"Quando você tem números para embasar suas decisões, pode jogar com mais confiança", disse o jogador de 27 anos.

O projeto, que envolve a Associação Japonesa de Curling e o Instituto Japonês de Ciências do Esporte, também utiliza inteligência artificial para estudar as condições do gelo.

Além da vantagem oferecida pelo trabalho de Yamamoto, a equipe está ansiosa para ver um novo sistema proposto pelos serviços de transmissão olímpica nos Jogos de Milão-Cortina, no qual a análise por IA das trajetórias das pedras será usada para aprimorar a experiência televisiva dos fãs.

A treinadora da seleção japonesa, Ayumi Ogasawara, é muito favorável à adoção de tecnologias que possam "apresentar novas perspectivas sobre táticas e outros aspectos do esporte".

"Espero que isso se torne algo que se prove eficaz em competições", disse o atleta que participou de três Olimpíadas.