Uma delegação comercial japonesa adia sua visita à China devido à disputa com Taiwan.

Uma delegação comercial japonesa adia sua visita à China devido à disputa com Taiwan.

TÓQUIO – Uma delegação de três importantes associações empresariais japonesas adiou sua visita à China, planejada para janeiro, anunciaram os grupos nesta quarta-feira, em meio a uma disputa diplomática após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan.

A delegação, composta por cerca de 200 membros, não prosseguirá com a viagem de quatro dias a Pequim, prevista para começar em 20 de janeiro, devido à falta de uma resposta clara ao seu pedido de reunião com o presidente chinês Xi Jinping, indicaram os grupos.

Entre os membros estão Yoshinobu Tsutsui, presidente da Federação Japonesa de Empresas, o mais poderoso grupo de pressão empresarial do país, Kosei Shindo, chefe da Associação Econômica Japão-China, e Ken Kobayashi, presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Japão.

Os três grupos informaram seus participantes que a viagem seria adiada sob a alegação de que não obteriam "resultados substanciais", sem especificar uma data para remarcar a viagem.

Este adiamento ocorre em um momento de conflito entre o Japão e a China, desde que Takaichi declarou ao Parlamento, em novembro, que um ataque a Taiwan, território reivindicado pela China, poderia constituir uma "situação de ameaça à sobrevivência" do Japão.

A declaração foi amplamente interpretada como uma sugestão de possível envolvimento das Forças de Autodefesa em apoio aos Estados Unidos, no âmbito do direito da nação à autodefesa coletiva.

Organizada pela Associação Econômica Japão-China, a viagem a Pequim dos três grupos de empresas era um evento quase anual desde o ano fiscal de 1975.

Embora a viagem tivesse sido adiada em setembro de 2012, depois que o governo japonês comprou uma parte significativa das Ilhas Senkaku, reivindicadas pela China, no Mar da China Oriental, de um proprietário privado japonês naquele mês, a delegação comercial visitou a China em março de 2013.

Questionado sobre o adiamento da viagem, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, disse em uma coletiva de imprensa em Pequim: "Instamos as autoridades japonesas no poder a... retirarem as declarações errôneas do primeiro-ministro Takaichi, a fim de criar as condições necessárias para o intercâmbio normal entre a China e o Japão."