Um supermercado halal atende muçulmanos e japoneses.
MISATO, Prefeitura de Saitama – Onde outros falharam, uma rede de supermercados que oferece produtos alimentícios halal teve a sorte de atrair uma base crescente de clientes, tanto muçulmanos quanto japoneses.
A loja Misato em Bongo Bazar vende produtos comestíveis especialmente preparados de acordo com a lei islâmica, em um local onde, segundo o operador, três supermercados haviam fechado anteriormente.
Apesar do histórico financeiro desfavorável do imóvel, as vendas mensais da loja têm se mantido estáveis em quase 120% do nível do ano anterior desde sua inauguração em 2020. Uma segunda filial foi inaugurada no ano passado na província vizinha de Gunma.
Uma visita à loja de Misato, nos arredores de Tóquio, proporciona uma visão mais detalhada do Bongo Bazar.
A cerca de 20 minutos a pé da estação JR Shin-Misato, surge uma grande placa com os dizeres "Bongo Bazaar".
Ao entrar pelo portão, as primeiras coisas que chamam a atenção dos visitantes são os duriões e as flores de bananeira.
Os clientes japoneses podem se perguntar como cozinhar essas frutas tropicais, mas não precisam se preocupar: cartazes especializados oferecem sugestões de cardápio e receitas, como se respondessem às dúvidas dos compradores.
O interior da loja também está abastecido com tofu, molho de soja e outros produtos alimentícios que podem ser encontrados na maioria dos supermercados do Japão.
Na parte de trás da loja, a palavra "halal" está em destaque na seção de carnes. As etiquetas nas prateleiras de temperos e produtos congelados indicam que também são seguros para o consumo por muçulmanos.
O supermercado oferece não apenas uma grande variedade de pratos de naan e biryani prontos e certificados como halal, mas também especiarias de toda a Ásia.
Uma mulher paquistanesa na casa dos quarenta anos visitou a loja usando um hijab e disse que o Bongo Bazar "rotula claramente os produtos halal para evitar confusão, embora eu às vezes compre itens não halal em outros lugares por engano".
Um japonês de Misato, na casa dos sessenta anos, disse que costumava parar no Bongo Bazaar duas ou três vezes por semana.
"Aqui se encontram muitos itens interessantes, ao contrário de outros supermercados", disse o morador.
O Bongo Bazar explica que metade de sua clientela é japonesa.
Ao explicar como o supermercado consegue atrair uma clientela tão diversificada, Ken Minowa, de 55 anos, enfatizou que o Bongo Bazar atende de forma abrangente às necessidades dos muçulmanos, ao mesmo tempo que "adota práticas comuns dos supermercados japoneses".
Minowa, que administra a loja desde a inauguração do supermercado, primeiro demonstrou cuidadosamente como expor os produtos nas prateleiras.
Frutas e verduras da estação são colocadas na entrada, seguidas por carnes e peixes, com os pratos prontos localizados no fundo. Itens pesados, incluindo sacos de arroz, são expostos perto dos caixas.
O layout, que espelha o dos supermercados padrão no Japão, visa dissipar qualquer hesitação que os clientes japoneses possam ter em entrar na loja halal.
Além disso, o Bongo Bazar aproveita ao máximo sua extensa gama de produtos alimentícios que podem ser desconhecidos para os clientes japoneses. A loja exibe diversas placas com informações detalhadas sobre métodos de preparo e proporções recomendadas de temperos, permitindo que os consumidores consultem essas informações com facilidade.
O Bongo Bazar foi concebido como uma "grande aventura culinária". A ideia é que gerar entusiasmo entre os visitantes possa motivá-los a comprar e experimentar novos produtos.
“Nossa loja é como um parque temático”, disse Minowa.
Por trás dessa decisão singular está a paixão do proprietário bangladês da rede em receber de braços abertos pessoas de diversas origens nacionais.
Badal Chaklader, de 58 anos, residente estrangeiro no Japão, é presidente da Padma Co., importadora de alimentos halal com sede em Misato, que administra o supermercado.
Chaklader, que chegou ao Japão como estudante internacional na segunda metade da década de 1980, logo percebeu a dificuldade em obter comida halal neste país do Leste Asiático.
Essa experiência acabou por levá-lo a abrir uma pequena loja halal em Tóquio no início da década de 1990.
Chaklader então observou um aumento considerável na população de residentes muçulmanos no Japão.
Segundo dados de Hirofumi Tanada, professor emérito de sociologia da Universidade de Waseda, que conhece muito bem a comunidade islâmica do país, esse número aumentou mais de dez vezes, passando de 30.000 em 1990 para 420.000 no final de 2024.
Nesse contexto, as vendas de sua empresa se mostraram particularmente dinâmicas. Chaklader então expandiu as importações diretas de produtos halal.
Naquela época, Chaklader sentiu-se "cada vez mais compelido a criar um lugar onde japoneses e estrangeiros pudessem fazer compras juntos em um ambiente espaçoso".
O sonho finalmente se tornou realidade na forma do Bongo Bazar.
Chaklader, em particular, contratou Minowa como gerente da loja por meio de um conhecido em comum, já que ele já tinha acumulado muitos anos de experiência trabalhando em um supermercado japonês.
O objetivo de Chaklader está bem refletido na seguinte declaração: "Ao oferecer às pessoas a oportunidade de ver e compreender a culinária halal, quero contribuir para mudar a imagem do Islã, que às vezes é associada ao terrorismo e à guerra."

