Uma ilha remota do Japão está sob intenso escrutínio em relação aos seus projetos de resíduos nucleares e terras raras.
TÓQUIO – A ilha mais oriental do Japão, Minamitori, está atraindo atenção como local para testes de extração de elementos de terras raras do fundo do mar circundante e como um possível local para o descarte final de resíduos altamente radioativos de usinas nucleares.
Este pequeno atol, que faz parte da vila de Ogasawara em Tóquio, está isolado no Oceano Pacífico, sem residentes civis e com poucos moradores que o visitaram.
Especialistas afirmam que a ilha também é um importante local de reprodução para aves marinhas, o que aumenta a preocupação de que a construção e o aumento da atividade humana possam prejudicar seu frágil ecossistema com a introdução de espécies invasoras.
Localizada a aproximadamente 1.950 quilômetros a sudeste do centro de Tóquio, a Ilha Minamitori abrange cerca de 1,5 quilômetros quadrados.
Formada por um recife de coral no topo de uma ilha vulcânica, ela é plana e triangular, com seu ponto mais alto a apenas cerca de 9 metros acima do nível do mar.
Apesar de seu pequeno tamanho, a ilha cria uma zona econômica exclusiva de aproximadamente 430.000 quilômetros quadrados, maior que a área do Japão.
Há pessoal do Ministério da Defesa alocado lá, mas a ilha está localizada a cerca de 1.200 quilômetros da Ilha Chichijima, onde vive a maioria dos moradores da Vila Ogasawara.
"Para a maioria de nós, isso tem pouca relação com o nosso dia a dia", disse um morador, demonstrando pouco interesse pela Ilha de Minamitori.
Mas para os cientistas, a Ilha Minamitori está longe de ser insignificante.
Kazuto Kawakami, um ornitólogo da filial de Hokkaido do Instituto de Pesquisa Florestal e de Produtos Florestais, visitou a ilha duas vezes como parte das investigações do Ministério do Meio Ambiente.
Ele explicou que a Ilha Minamitori já foi um "paraíso" para aves marinhas por volta de 1900, quando os primeiros colonizadores japoneses chegaram. Naquela época, 11 espécies de aves marinhas se reproduziam na ilha.
Mas a caça intensiva por penas antes e durante a Segunda Guerra Mundial devastou as populações de aves. Na década de 1950, restavam apenas duas espécies, incluindo a andorinha-do-mar-escura. Plantas invasoras introduzidas como quebra-ventos também se espalharam pela ilha.
Sinais de recuperação surgiram posteriormente.
Um levantamento realizado na década de 1990 confirmou a existência de uma terceira espécie reprodutora. Em 2022, Kawakami e outros pesquisadores identificaram uma família de andorinhas-do-mar-brancas e 139 ninhos de nódi-preto, marcando os primeiros registros confirmados de reprodução para ambas as espécies na Ilha Minamitori em 120 anos.
O local de reprodução da andorinha-do-mar-branca é o único confirmado no Japão, enquanto a colônia de nódi-preto é considerada a maior do país.
Anteriormente, a espécie só havia sido observada nidificando no Japão em rochas perto da Ilha de Iwoto, na vila de Ogasawara, e na cidade insular de Miyakojima, na província de Okinawa.
No entanto, a recuperação foi acompanhada de complicações.
Observou-se que ambas as espécies estavam nidificando em árvores pertencentes a espécies de plantas invasoras. Kawakami afirmou que a situação evidenciou a complexidade da restauração ecológica na ilha.
"É uma situação complicada porque as aves fazem seus ninhos em plantas invasoras, mas seu retorno sugere que a ilha está se recuperando como um habitat importante para aves marinhas", disse ele.
Os cientistas também estão preocupados com o risco representado pelos predadores introduzidos pelos humanos.
Durante um levantamento realizado em 2007, pesquisadores encontraram penas de andorinha-do-mar-escura em fezes de gato. Nas Ilhas Ogasawara, gatos selvagens introduzidos por humanos já devastaram áreas de reprodução de aves marinhas.
Essas preocupações tornaram-se urgentes quando a Ilha Minamitori surgiu como um possível local para o descarte final de resíduos altamente radioativos.
O processo de seleção de um local de descarte envolve três etapas de investigação — uma revisão dos dados existentes, uma visão geral e um estudo detalhado — ao longo de um período de aproximadamente 20 anos.
Mesmo que o estudo documental inicial não envolva atividades no local, as etapas subsequentes exigirão perfuração e possivelmente a construção de instalações subterrâneas.
Isso traria trabalhadores, máquinas e suprimentos para a ilha, aumentando assim o risco de introdução de espécies não nativas.
Kawakami afirmou que o valor ecológico da ilha não deve ser negligenciado em meio às discussões sobre desenvolvimento de recursos e descarte de resíduos nucleares.
"A ilha de Minamitori desempenha um papel vital na preservação da biodiversidade do Japão, portanto, confiar apenas em documentos não é suficiente. Estudos de campo detalhados sobre o ambiente da ilha também são necessários", disse ele.

