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Uma sobrevivente de câncer realiza seu sonho de se tornar professora de jardim de infância.

KOBE — Quando a dor de uma menina se tornava insuportável, uma professora do jardim de infância a confortava.

Quando a criança se sentia deprimida por causa da doença, a professora oferecia palavras de encorajamento e dava-lhe um objetivo a alcançar.

E depois de a jovem ter sobrevivido à sua batalha contra o câncer infantil, ela decidiu seguir os passos da mulher que tanto lhe deu apoio.

Em uma festa de Natal realizada pouco antes de receber alta do hospital, Nagi Tanaka, contendo as lágrimas, leu uma carta que havia escrito para a equipe e outros jovens pacientes.

"Passei por alguns momentos difíceis, mas estou feliz por ter conhecido todos vocês", disse ela. "Pretendo me tornar professora de jardim de infância e com certeza voltarei aqui."

Yumi Okamoto, a professora que inspirou Tanaka, estava presente para ouvir as palavras de Tanaka no Hospital Universitário de Kobe, no distrito de Chuo, na cidade.

Tanaka, de 25 anos, agora trabalha como cuidadora infantil no mesmo hospital. E uma de suas colegas é Okamoto, de 62 anos.

TRATAMENTO DOLOROSO

Tanaka tinha 12 anos e cursava o primeiro ano do ensino médio quando foi diagnosticada com leucemia linfoblástica aguda, um tipo de câncer que costuma afetar crianças.

Ela foi tratada no Hospital Universitário de Kobe juntamente com cerca de 25 outros pacientes jovens, desde crianças pequenas até estudantes do ensino médio.

As dores de estômago e de cabeça de Tanaka eram tão intensas que ela chorava de dor. Além disso, ela sofreu de pancreatite aguda diversas vezes devido aos efeitos colaterais da medicação contra o câncer.

Okamoto, que trabalhava no centro médico pediátrico do hospital, sempre ajudou Tanaka nos momentos difíceis.

Para ajudar Tanaka a se sentir mais positivo, Okamoto incentivou o jovem paciente a servir como anfitrião e tocar piano em eventos realizados no centro.

Durante dois dias, enquanto os efeitos dos medicamentos contra o câncer eram menos severos, Tanaka teve a experiência de trabalhar como professor em um hospital.

Tanaka sempre amou crianças e tinha interesse em trabalhos que envolvessem crianças.

Assim, quando seu tratamento contra o câncer terminou, após cerca de um ano de internação, ela considerou a possibilidade de se tornar educadora hospitalar.

Ela também percebeu que precisaria ver muitas crianças doentes simplesmente para entender suas necessidades.

'EMPREGO IDEAL'

Após iniciar o ensino médio, Tanaka ensinou caratê para crianças, incluindo jovens com deficiência.

Na universidade, ela se juntou a um grupo de voluntários que trabalhava no Hospital Universitário de Kobe e brincava com os pacientes infantis.

Mas os hospitais contratam apenas alguns profissionais de cuidados infantis. Aliás, Okamoto era o único que trabalhava no centro pediátrico do hospital quando Tanaka estava procurando emprego.

Embora mais tarde tenha sido contratado um funcionário adicional, não havia mais vagas de emprego no centro, então Tanaka decidiu trabalhar em um jardim de infância na cidade.

Mas a funcionária adicional pediu demissão pouco depois, o que levou Okamoto a perguntar a Tanaka se ela gostaria de trabalhar no centro.

Tanaka disse "sim" sem hesitar e recusou a oferta de emprego no jardim de infância.

Assim, seu sonho se tornou realidade em abril de 2023, quando ela tinha 22 anos.

Nobuyuki Yamamoto, de 44 anos, que era o médico responsável pelo tratamento de Tanaka e agora é seu colega, disse sobre sua ex-paciente: "Acho que trabalhar como enfermeira em um hospital é o emprego ideal para ela."

Ao trabalhar com Okamoto, Tanaka descobre novas perspectivas e aprende coisas novas.

Ela também sabe que seu trabalho não é fácil.

“Apoiar crianças pode apresentar muitos desafios”, disse Tanaka.

Por exemplo, ela precisa da aprovação de um médico simplesmente para brincar com uma criança fora do hospital. O plano de cuidados da criança deve ser revisado e sua condição física avaliada antes que qualquer passeio desse tipo seja organizado.

Tanaka também aprendeu que é essencial conversar com os familiares da criança e oferecer apoio psicológico ao paciente.

"Quero que as crianças que de repente não podem mais ir à escola e que perderam seu cotidiano levem uma vida o mais normal possível", disse Tanaka.