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A Universidade de Juntendo, em Tóquio, foi outra das instituições de ensino pegas no esquema de favorecimento a alunos do sexo masculino em provas do vestibular de medicina

Na segunda-feira (10) uma coletiva de imprensa foi realizada e a direção da Faculdade de Medicina reconheceu que trataram as mulheres e os ronin (estudantes que prestam o vestibular mais de uma vez) de forma inadequada, colocando-os em desvantagem em relação aos outros candidatos.

No entanto, o que mais chamou atenção da imprensa japonesa foi a justificativa da instituição para diminuir as notas das mulheres na segunda fase da prova. A segunda fase consiste de uma entrevista, na qual a capacidade de se comunicar e se expressar é importante e um dos principais itens avaliados.

A universidade, de forma contraditória, reconheceu que: “A capacidade de comunicação das mulheres é maior do que a dos homens, então adotamos medidas para equilibrar as coisas e não deixar os homens em desvantagem”.

Outro argumento foi de que: “As mulheres amadurecem psicologicamente mais cedo do que os homens, então tentamos diminuir essas diferenças”.

Por fim, a direção afirmou também que o alojamento feminino possuía poucas vagas, sendo que não seria possível acomodar tantas estudantes.

O esquema afetou os resultados das provas de 2017 e 2018, reprovando de maneira injusta um total de 165 estudantes. Na segunda fase, foram 48 candidatos cortados, sendo 47 deles mulheres.

O comitê que analisava o caso ouviu às declarações da direção da universidade e apontou que a avaliação dos alunos não deveria levar em consideração o sexo, mas sim as habilidades e características individuais de cada aluno, não aceitando as justificativas da instituição. A questão do alojamento foi considerada como uma “desculpa” pelo comitê e muito criticada pela imprensa japonesa.

A equipe de reportagem da NHK entrevistou uma médica do Hospital Universitário da Juntendo. Ela disse que: “Eles estão escondendo o fato de que não querem aumentar o número de medicas dando desculpas como o do alojamento estudantil feminino.

“Eles não querem se preocupar e lidar com a gravidez e maternidade das futuras médicas, então preferem médicos que trabalharão por um longo período de tempo”, encerrou a profissional.

Fonte: Asahi Shinbun Digital, NHK WEB NEWS

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